O estudante Fabrício Antonio, de 16 anos, viveu momentos de desespero na tarde da segunda-feira (11) quando uma explosão de uma tubulação de gás destruiu sua casa no bairro do Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo. O acidente resultou na morte de um vigilante de 49 anos e deixou outras três pessoas feridas.
"É ruim ver o sonho da sua mãe ser destruído de forma tão rápida assim. Algo que você também ajudou a construir e, de uma hora pra outra acaba tudo", desabafou o jovem, que ficou desabrigado. Ele contou que, minutos antes do estrondo, já sentia um cheiro muito forte de gás dentro do imóvel. "Estava um cheiro muito forte de gás. Eu estava até passando mal. Pensei em fechar tudo para não entrar [o cheiro]. Mas seria uma coisa bem pior se acontecesse isso. Abri a janela para entrar ar e liguei o ventilador. E vi a explosão. Um pedaço do forro da minha casa caiu em cima de mim, além dos estilhaços de vidro", narrou.
Fabrício também criticou a atuação dos funcionários da Sabesp que estavam no local antes da explosão. "Já estava o cheiro de gás, e o povo da Sabesp estava em frente da minha casa, brincando e conversando, não estavam fazendo nada", lembrou. Após a explosão, ele tentou encontrar familiares antes de ligar para a mãe. "Na hora que vi a explosão, tentei sair de casa para ir atrás do meu tio Luciano e depois, quando fui para a rua, longe de casa, eu liguei para a minha mãe", contou.
Menino de 10 anos também escapou ileso
O menino Nicolas Souza de Oliveira, de 10 anos, também conseguiu escapar sem ferimentos. Alojado com a família em um hotel pago pela Sabesp no bairro da Vila Yara, em Osasco, ele relatou o desespero vivido. "Do que eu ouvi foi uma explosão, no começo eu achei que tinha sido na minha casa. A única coisa que pensei foi em sair correndo. Não entendi nada. Os vidros de casa estouraram. Aí saímos e ninguém estava entendendo nada. A explosão aconteceu do nada", afirmou. "Fiquei muito assustado. [Aqui no hotel] está sendo bom, mas não tão bom. Eu estou com saudades da minha casa. Tem tudo lá, tem minha cama. Estou com saudades", completou.
Investigação do acidente
A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) informou que conduzirá uma "apuração rigorosa, independente e transparente" sobre a atuação da Sabesp e da Comgás na explosão. O acidente ocorreu durante uma obra de remanejamento de tubulação de água, quando houve o atingimento de uma rede de gás, destruindo 46 imóveis. Moradores registraram em vídeo os funcionários da Sabesp trabalhando no local minutos antes da explosão.
Em nota, a Arsesp afirmou que "solicitará às concessionárias todos os documentos e registros operacionais relacionados à prestação dos serviços no local, bem como as informações específicas sobre a manutenção realizada no endereço nesta segunda-feira". "Caso sejam constatadas falhas, descumprimento de normas ou responsabilidade de empresa fiscalizada, serão adotadas as medidas regulatórias e sancionatórias cabíveis", completou.
Representantes da Sabesp e da Comgás anunciaram o pagamento emergencial de R$ 2 mil para cada família afetada e disseram que os moradores de imóveis interditados serão levados para hotéis com todas as despesas custeadas. Equipes de médicos veterinários também atuam no local para atender animais atingidos.
Detalhes do acidente
Segundo o Corpo de Bombeiros, a explosão ocorreu por volta das 16h10. Vídeos gravados por moradores mostram bolhas no local onde os funcionários atuavam, sinalizando vazamento de gás. Um funcionário da Comgás também passou pelo local antes da explosão, por volta das 15h. A Defesa Civil informou que duas vítimas conscientes foram socorridas e encaminhadas ao Pronto-Socorro Regional de Osasco com politraumatismos, e um funcionário da Sabesp foi levado por meios próprios a um hospital. As buscas por mais vítimas foram encerradas e não há mais risco de explosão.



