Conflito no Oriente Médio se intensifica com novos ataques e retaliações
O conflito no Oriente Médio entrou em uma nova fase crítica nesta sexta-feira (3), com Israel e Estados Unidos continuando os bombardeios ao Irã, que revidou com ataques ao setor de energia de países do Golfo. Mísseis iranianos cruzaram a região e atingiram uma grande refinaria de petróleo e uma usina de dessalinização no Kuwait, além de instalações de gás em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Vítimas e destruição em meio aos confrontos
Nos Emirados Árabes, pelo menos um trabalhador morreu e outros quatro ficaram feridos durante os ataques. Em Israel, as sirenes soaram ainda de madrugada, com destroços de mísseis interceptados caindo sobre áreas residenciais de Tel Aviv e também no norte do país. O Crescente Vermelho iraniano denunciou que a ofensiva israelo-americana atingiu um complexo da organização, deixando caminhões usados para levar suprimentos médicos carbonizados.
Novas imagens mostram a destruição de uma ponte em construção, bombardeada na última quinta-feira (2). Sobreviventes relataram que pedras e escombros caíram como uma chuva na cabeça das pessoas, ilustrando a violência dos confrontos.
Declarações e estratégias dos líderes
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou nesta sexta que Israel já destruiu 70% da indústria siderúrgica do Irã, privando a Guarda Revolucionária da capacidade de produzir armas. Ele afirmou que vai continuar a esmagar o Irã com ajuda dos militares americanos. Em meio à ameaça de operação terrestre dos Estados Unidos, as forças iranianas tentam recrutar mais soldados, inclusive adolescentes, segundo publicação do jornal The Wall Street Journal.
A ONG de direitos humanos do Irã relatou ter recebido informações de que crianças morreram enquanto trabalhavam em postos militares, destacando o impacto humano do conflito.
Impacto no tráfego marítimo e reações internacionais
Em meio aos ataques, apenas cinco cargueiros conseguiram atravessar o estreito de Ormuz nas últimas 24 horas – três de Omã, um da França e outro do Japão. Este número é muito inferior à média de antes da guerra, quando mais de 100 navios passavam pela rota diariamente.
O ex-presidente americano Donald Trump, em pronunciamentos e redes sociais, sugeriu que os Estados Unidos poderão liberar a passagem, afirmando: "Com um pouco mais de tempo, podemos facilmente abrir o estreito, tomar o petróleo e fazer uma fortuna".
Em uma demonstração estratégica de apoio, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, viajou à Arábia Saudita, com visitas planejadas ao Catar e aos Emirados Árabes. Ela é a primeira líder da União Europeia e da Otan a viajar até a região desde o início da guerra, refletindo a dependência europeia do petróleo do Oriente Médio – cerca de 10% das importações da Itália vêm da região.
Países europeus sinalizaram que estão dispostos a reabrir e monitorar o estreito de Ormuz, mas apenas quando os confrontos cessarem, indicando cautela diante da escalada de violência.



