França rebate Trump e classifica como 'irrealista' abrir Estreito de Ormuz à força
França rebate Trump sobre abertura forçada do Estreito de Ormuz

França rebate Trump e classifica como 'irrealista' abrir Estreito de Ormuz à força

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira, 2 de abril de 2026, ser "irrealista" uma operação militar para abrir o Estreito de Ormuz à força. A declaração foi uma resposta direta ao seu homólogo americano, Donald Trump, que desafiou aliados a "criar coragem" e "simplesmente pegar" petróleo na rota marítima fechada pelo Irã.

Críticas à postura dos Estados Unidos

Durante sua visita de Estado à Coreia do Sul, Macron foi enfático ao criticar a posição dos Estados Unidos. "Algumas pessoas defendem a ideia de libertar o Estreito de Ormuz à força por meio de uma operação militar, uma posição por vezes expressa pelos Estados Unidos", disse o líder francês a jornalistas. "Essa nunca foi uma opção que apoiamos, porque é irrealista. Levaria uma eternidade, e exporia todos aqueles que atravessam o estreito aos riscos da Guarda Revolucionária Islâmica, bem como a mísseis balísticos".

Macron também alfinetou Trump, afirmando: "Sinto que tem muitas palavras e pouca ação. Quando se quer falar sério, não se diz, todos os dias, o oposto do que se disse no dia anterior". O presidente francês defendeu a retomada das negociações e o retorno à paz e estabilidade na região.

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Cúpula internacional no Reino Unido

Enquanto isso, o Reino Unido sediou uma cúpula com cerca de 35 países para discutir alternativas para reabrir o Estreito de Ormuz. A reunião foi presidida pela ministra de Assuntos Estrangeiros britânica, Yvette Cooper, e contou com a participação de nações como França, Alemanha, Itália, Canadá e Emirados Árabes Unidos. Washington não participou do encontro.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, declarou que a reunião avaliaria "todas as medidas diplomáticas e políticas viáveis" para restaurar a navegação na área, mas apenas após um cessar-fogo ser alcançado. Os países europeus recusaram a exigência de Trump de enviar navios de guerra, temendo serem arrastados para o conflito.

Contexto do fechamento do estreito

O Irã efetivamente fechou o Estreito de Ormuz em retaliação aos ataques americanos e israelenses que começaram no final de fevereiro de 2026. A rota é crucial para o comércio global, pois por ela passam 20% do petróleo e gás consumidos no mundo. A reabertura tornou-se uma prioridade internacional, especialmente com os preços de combustível em disparada.

No entanto, a missão é complexa. Embora a Marinha iraniana tenha sido debilitada, ela ainda tem capacidade para minar as águas do estreito. Danificar um navio de guerra que tente passar poderia ser feito com drones, lanchas carregadas de explosivos ou foguetes lançados da costa, tornando qualquer operação militar extremamente arriscada.

Próximos passos e planos futuros

As conversas desta quinta-feira marcaram a primeira reunião formal do grupo, com discussões mais detalhadas envolvendo planejadores militares previstas para as próximas semanas. Uma fonte da diplomacia europeia revelou que a primeira fase de qualquer plano para reabrir a hidrovia envolveria a desminagem da área, seguida por uma segunda fase para proteger petroleiros que atravessam o estreito.

Trump, em discurso na noite anterior, afirmou que a rota marítima poderia abrir "naturalmente" e que era responsabilidade das nações mais dependentes garantir sua abertura. "Simplesmente tomem, protejam, usem para vocês mesmos", disse ele, que também ameaçou deixar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) após decepções com aliados no conflito no Oriente Médio.

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