EUA intensificam preparativos para ofensiva terrestre contra o Irã com tropas de elite
As forças armadas dos Estados Unidos estão em fase avançada de preparação para uma possível ofensiva terrestre contra o Irã, com uma mobilização militar crescente no Oriente Médio que já soma mais de 50 mil militares americanos na região. Nesta segunda-feira (30), começaram a chegar dois mil paraquedistas de elite do Exército, especializados em operações de infiltração e combate terrestre.
Mobilização militar aponta para invasão iminente
Além das tropas de paraquedistas, mais de 3 mil fuzileiros navais se juntaram às forças americanas no fim de semana, e o governo avalia enviar adicionalmente 10 mil soldados equipados com artilharia pesada e veículos blindados. Essa concentração de poder militar sugere fortemente os preparativos para uma invasão terrestre em território iraniano.
O ex-presidente Donald Trump já falou abertamente sobre um possível ataque à ilha iraniana de Kharg, declarando que os Estados Unidos poderiam capturá-la. Esta ilha tem importância estratégica crucial, pois por lá transitam aproximadamente 90% das exportações de petróleo do Irã. As forças americanas já atingiram cerca de 100 alvos militares em Kharg, numa clara tentativa de neutralizar as defesas iranianas antes de uma eventual invasão.
Alvos estratégicos e desafios operacionais
Contudo, uma invasão da ilha de Kharg representaria uma operação extremamente complexa devido ao forte aparato militar que o Irã mantém no Golfo Pérsico. Além de Kharg, os americanos monitoram outras cinco ilhas estratégicas, sendo duas delas fundamentais para o controle do Estreito de Ormuz.
Qeshm, a maior ilha da região, é considerada um portal natural do Estreito de Ormuz. Seu subsolo abriga cavernas naturais com quilômetros de extensão que foram convertidas em depósitos secretos para drones e mísseis, arsenal utilizado para ameaçar e atacar navios que tentam atravessar o estreito.
Próxima dali, a ilha de Larak serve como base para barcos iranianos que realizam ataques a petroleiros e instalam explosivos em alto-mar. Estas posições estratégicas tornam qualquer operação terrestre americana particularmente arriscada.
Operação de alto risco em usinas nucleares
Existe ainda uma terceira frente considerada a mais perigosa: a possibilidade de forças especiais americanas tentarem se infiltrar em uma das usinas nucleares iranianas, como a de Isfahan, para apreender estoques de urânio enriquecido - matéria-prima essencial para armas nucleares.
Esta operação enfrentaria desafios monumentais, pois o material nuclear está altamente protegido e seu transporte envolveria riscos significativos de contaminação radioativa. Zachary Lockman, cientista político especializado em Oriente Médio da Universidade de Nova York, identifica tanto a ilha de Kharg quanto a usina nuclear de Isfahan como os alvos mais prováveis de uma possível operação terrestre.
Lockman adverte: "São opções extremamente perigosas. Os Estados Unidos certamente sofrerão baixas significativas e não se pode prever o sucesso dessa operação. As consequências podem ser ainda mais desastrosas para todos os envolvidos na guerra e para a economia global".
Análise de especialistas sobre a inevitabilidade do conflito
Kian Tajbakhsh, professor iraniano de Relações Internacionais da Universidade Columbia, avalia que está se tornando cada vez mais difícil para os Estados Unidos evitar o que chamam de "colocar as botas no solo" - expressão que designa operações terrestres.
"Seria uma derrota histórica para Trump", afirma Tajbakhsh, referindo-se às consequências políticas de não agir. O professor explica que, com o fechamento do Estreito de Ormuz, os Estados Unidos se veem obrigados a reabrir a rota do petróleo: "Parece inevitável enviar tropas porque, do ponto de vista tático, é necessário ter soldados por lá para garantir a segurança do litoral sul do Irã e impedir que mísseis e drones sejam lançados".
A crescente tensão militar entre Estados Unidos e Irã coloca o Oriente Médio à beira de um conflito terrestre de proporções históricas, com potenciais repercussões globais na segurança energética e nas relações internacionais. A comunidade internacional observa com preocupação os desdobramentos desta crise que pode redefinir o equilíbrio de poder na região.



