EUA planejam uso de bombas gravitacionais de precisão em novos ataques ao Irã
Os Estados Unidos afirmaram nesta quarta-feira, 4 de junho, que pretendem utilizar bombas gravitacionais de precisão nos próximos ataques ao território iraniano. A declaração foi feita pelo secretário de Guerra do governo Trump, Pete Hegseth, que revelou que o país possui um "estoque ilimitado" desses artefatos e planeja empregá-los em breve contra alvos iranianos.
O que são bombas gravitacionais de precisão?
As bombas gravitacionais são armamentos lançados de aviões bombardeiros em direção a objetivos específicos, conforme explica o professor de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense, Vitelio Brustolin. Esses dispositivos dependem fundamentalmente da gravidade e da velocidade da aeronave para alcançar seu destino final.
Normalmente, esses artefatos têm como alvo pontos estratégicos do inimigo, incluindo:
- Veículos militares
- Depósitos de armas e munições
- Edifícios de comando e controle
- Bunkers e instalações subterrâneas
"Bombas de gravidade são as mais simples: as lançadas de aviões. Atualmente, muitas delas também são usadas para penetração, utilizam a gravidade e penetram no solo para destruir bunkers, por exemplo, e possuem um mecanismo de explosão com retardo para detonar dentro dos alvos", detalha o especialista Brustolin.
Tecnologia de precisão e histórico de uso
O equipamento é considerado um tipo "mais simples" de bomba porque o gatilho de detonação é o próprio despejo da bomba pela aeronave - representando o primeiro formato de bombardeio criado na história militar. Contudo, essa simplicidade não significa ausência de tecnologias avançadas em sua produção ou utilização.
As bombas gravitacionais foram empregadas nos ataques nucleares contra Hiroshima e Nagasaki, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial. Desde então, desenvolveu-se tecnologia capaz de direcionar a bomba até o alvo enquanto ela está no ar após ser lançada do avião - daí a denominação bomba gravitacional de precisão.
"Esses kits podem funcionar a laser, por GPS ou através de controle remoto de diversos tipos", afirma o professor Brustolin. Este modelo de artefato já foi utilizado contra o Irã no ano passado, quando uma MOP GBU-57 A/B foi lançada nas instalações nucleares em Fordo, na cidade de Qom.
Supremacia aérea como requisito fundamental
Para o emprego eficaz desse tipo de bomba, um fator é determinante: invadir o espaço aéreo inimigo sem que a aeronave seja alvo de mísseis ou acabe abatida pelas defesas adversárias.
"Essas bombas geralmente são usadas quando existe superioridade ou supremacia aérea. Supremacia aérea é o nível mais elevado de controle do espaço aéreo do oponente, quando você consegue sobrevoar o território do inimigo livremente", explica Vitélio Brustolin.
Não houve alteração significativa no modo de "gatilho" desse tipo de bomba ao longo da história. O especialista destaca que para lançá-la de um veículo terrestre, por exemplo, seria necessário um sistema de propulsão com consumo elevado de combustível sólido capaz de mover bombas tão pesadas - o que interferiria na velocidade do artefato e, consequentemente, reduziria o impacto necessário para penetrar o solo.
Contexto atual do conflito
Passados cinco dias desde o início das hostilidades intensificadas, os Estados Unidos projetam que, em até uma semana, conseguirão dominar totalmente os céus do Irã. Um dos indicadores que apontam para esse cenário, segundo o governo Trump, é a diminuição dos mísseis lançados pelo regime iraniano - tanto para atacar outros países quanto para se defender de bombardeios em seu próprio território.
"Os disparos de mísseis balísticos do Irã caíram 86% desde o primeiro dia de combates, com uma redução de 23% nas últimas 24 horas", declarou o general Dan Caine, em entrevista realizada nesta quarta-feira no Pentágono.
Segundo o militar, os Estados Unidos estão "alvejando e eliminando os sistemas de mísseis balísticos iranianos para evitar que representem uma ameaça" para suas forças, seus aliados e seus interesses na região. Já os ataques com drones de uso único "caíram 73% em relação aos primeiros dias", acrescentou o general.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, e o general Dan Caine participaram de uma coletiva de imprensa no Pentágono, em Washington, no dia 22 de junho de 2025, para detalhar os ataques ao Irã e as estratégias militares em curso.
