EUA ordenam evacuação imediata de cidadãos de Israel em meio a tensão com Irã
Os Estados Unidos emitiram uma recomendação urgente para que seus cidadãos deixem Israel "enquanto houver voos comerciais disponíveis", em resposta à crescente ameaça de um possível ataque americano contra o Irã. O alerta foi divulgado pelo Departamento de Estado, que também autorizou a saída de funcionários do governo considerados não essenciais e de seus familiares, intensificando os preparativos para um cenário de conflito.
Negociações nucleares em impasse e mobilização militar
A medida ocorre após mais uma rodada inconclusiva de negociações entre Washington e Teerã sobre o futuro do programa nuclear iraniano. Embora haja sinalizações de que novas conversas possam ocorrer na próxima semana, o presidente Donald Trump já mobilizou dois grupos de porta-aviões na região, prontos para uma eventual ofensiva caso considere que o Irã não esteja comprometido em limitar suas atividades nucleares.
Em uma mensagem enviada à equipe da embaixada americana em Israel à 0h04 (horário local), o embaixador Mike Huckabee orientou os funcionários que desejarem sair do país a fazê-lo "HOJE". Ele alertou para a provável alta demanda por passagens aéreas e recomendou que priorizassem qualquer destino que permitisse conexão posterior para Washington, refletindo a gravidade da situação.
Esforços diplomáticos de última hora
A tensão aumentou significativamente após o fim das conversas em Genebra, na noite de quinta-feira. O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, principal mediador entre as partes, viajou às pressas a Washington numa tentativa de convencer a Casa Branca a evitar uma ação militar. Ele deve se reunir com o vice-presidente JD Vance, considerado dentro do governo o nome mais resistente a novas intervenções militares no Oriente Médio.
Em entrevista ao Washington Post, Vance afirmou que "não há chance" de os EUA se envolverem por anos em uma nova guerra no Oriente Médio, mas disse não saber se Trump apoiaria um ataque imediato, destacando as incertezas dentro da administração americana.
Divergências nucleares e possíveis soluções
As divergências entre Washington e Teerã permanecem amplas e complexas. O Irã resiste à exigência americana de exportar seu estoque de cerca de 400 quilos de urânio enriquecido a 60% e rejeita abrir mão do direito de enriquecer urânio em seu território. O Parlamento iraniano aprovou, em julho passado, uma lei que condiciona a retomada da cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica ao reconhecimento formal desse direito.
Teerã afirma que aceita limitar o enriquecimento a níveis necessários para fins civis, atualmente em até 20%, para abastecer o reator de pesquisa da capital, que produz isótopos médicos usados no diagnóstico de doenças. O combustível da instalação é fornecido pela Rússia, adicionando uma dimensão internacional ao conflito.
Uma possível solução para o impasse sobre o estoque de urânio altamente enriquecido seria sua diluição, como ocorreu no acordo nuclear de 2015, abandonado por Trump em seu primeiro mandato. As duas delegações devem se reunir na próxima semana, em nível técnico, na sede da AIEA em Viena. O diretor-geral do órgão, Rafael Grossi, deve apresentar um relatório atualizado sobre o acesso dos inspetores às instalações nucleares iranianas durante a reunião trimestral do conselho da agência, o que pode influenciar os próximos passos diplomáticos.



