EUA endurecem discurso contra Irã e Trump ameaça usar base militar no Oceano Índico
A Casa Branca voltou a endurecer significativamente o discurso contra o Irã nesta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, ao afirmar que os Estados Unidos dispõem de "diversos fundamentos" que poderiam embasar uma ação militar direta contra Teerã. Simultaneamente, o presidente Donald Trump publicou uma mensagem em rede social alertando que poderá recorrer a bases estratégicas caso o regime iraniano não avance em direção a um acordo satisfatório.
Negociações nucleares em foco
Washington e Teerã mantêm negociações complexas para limitar o programa nuclear iraniano, com o governo do Irã sustentando que suas atividades têm caráter civil, voltado exclusivamente à produção de energia. Em contrapartida, os americanos expressam preocupação crescente de que o país possa buscar capacidade para desenvolver armamento nuclear, elevando as tensões na região.
Em coletiva de imprensa, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, relembrou a ofensiva realizada pelos Estados Unidos em junho de 2025, quando instalações nucleares iranianas foram atingidas durante o conflito entre Irã e Israel. Segundo ela, há argumentos consistentes que poderiam ser apresentados em defesa de uma nova ação militar, caso seja considerada estritamente necessária.
Prioridade à diplomacia, mas com alertas
Leavitt afirmou, contudo, que Trump ainda considera a via diplomática a alternativa prioritária e mais desejável. De acordo com a porta-voz, as conversas em curso registraram avanços limitados até o momento, o que tem gerado frustração no lado americano.
Pouco depois da coletiva, Trump declarou publicamente que o Irã precisa concluir um acordo de forma urgente e advertiu que Washington poderá utilizar estruturas militares para conter qualquer ameaça proveniente do que classificou como um regime "altamente instável e perigoso".
Base estratégica em Diego Garcia
No texto publicado, o presidente mencionou especificamente a ilha de Diego Garcia, território no Oceano Índico que abriga uma base militar estratégica operada conjuntamente por Estados Unidos e Reino Unido. Trump também afirmou ter aconselhado o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a não firmar um arrendamento de cem anos envolvendo a área, enfatizando a importância geopolítica crucial da instalação para a segurança regional.
Risco de confronto aumentado
A escalada retórica ocorre em meio a avaliações de analistas internacionais de que o risco de confronto militar aumentou substancialmente nas últimas semanas. O site americano Axios publicou uma reportagem detalhada indicando que o governo Trump estaria mais próximo de um grande conflito no Oriente Médio do que a percepção predominante entre a população americana sugere.
Segundo a publicação, um eventual embate poderia começar em curto prazo, durar várias semanas e envolver também Israel de maneira direta, criando um cenário de instabilidade global. As declarações recentes reforçam a postura firme da administração americana, que busca equilibrar pressão militar com esforços diplomáticos para resolver a crise nuclear.