Cuba denuncia política americana de bloqueio energético como criminosa
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, fez uma acusação grave nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, durante a Conferência sobre Desarmamento em Genebra, na Suíça. Segundo o chanceler, os Estados Unidos estariam promovendo ativamente um bloqueio energético contra a ilha caribenha com a intenção clara de desencadear uma "catástrofe humanitária" entre a população cubana.
Washington usa segurança nacional como pretexto, afirma Havana
Rodríguez afirmou que o governo americano, liderado pelo presidente Donald Trump, estaria utilizando a alegação de que Cuba representa uma ameaça à segurança nacional dos EUA como pretexto para justificar medidas severas. Essas ações, segundo o diplomata, agravam diretamente a já crítica escassez de combustível e os frequentes apagões que assolam o país. "São ações criminosas e ilegais que equivalem a uma punição coletiva contra nosso povo", declarou o chanceler, destacando o sofrimento da população com a interrupção no fornecimento de petróleo.
Pressão internacional e risco de colapso humanitário
A denúncia ocorre em um momento de crescente tensão nas relações bilaterais, com os Estados Unidos intensificando o embargo contra Havana. Nos últimos meses, a administração Trump tem pressionado países fornecedores tradicionais de energia para Cuba, como Venezuela e México, a suspenderem o envio de combustível. Apesar das ameaças, a solidariedade internacional se manifestou:
- Dois navios mexicanos transportaram mais de 800 toneladas de ajuda humanitária para Havana.
- O governo da Espanha anunciou o envio de alimentos e medicamentos.
- Grupos de movimentos sociais, sindicatos e organizações humanitárias planejam enviar um comboio com suprimentos essenciais até 21 de março.
Em janeiro, após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, Trump classificou Cuba como uma "ameaça extraordinária" aos Estados Unidos. Rodríguez rebateu veementemente em Genebra: "Cuba não constitui ameaça para os Estados Unidos nem adota políticas expansionistas ou militares contra outras nações", contrastando com a postura hostil de Washington na região do Caribe.
Alerta da ONU sobre deterioração rápida em Cuba
A situação em Cuba tem chamado a atenção de organismos internacionais. No início de fevereiro, a Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um alerta preocupante sobre a rápida deterioração das condições de vida na ilha. O secretário-geral António Guterres advertiu para o risco iminente de um "colapso humanitário" caso o país não consiga importar petróleo suficiente para atender às necessidades básicas.
Segundo o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, a escassez de combustível compromete serviços essenciais de forma direta e alarmante:
- Funcionamento de hospitais e unidades de saúde.
- Abastecimento regular de água potável para a população.
- Operação do transporte público, vital para a mobilidade urbana.
- Distribuição eficiente de alimentos em todo o território nacional.
"O secretário-geral está muito preocupado com a situação humanitária em Cuba, que pode se agravar severamente — ou mesmo entrar em colapso — se suas necessidades de petróleo não forem atendidas", afirmou Dujarric, reforçando a gravidade do momento.
Governo cubano promete resistir apesar das dificuldades
Diante do Conselho de Direitos Humanos da ONU, o chanceler Bruno Rodríguez afirmou que o governo cubano fará todos os esforços possíveis para evitar uma crise humanitária de grandes proporções, mesmo que isso represente maiores dificuldades econômicas e sofrimento adicional para a população. A declaração reflete a determinação de Havana em enfrentar a pressão externa enquanto busca alternativas para mitigar os efeitos do bloqueio energético.
A mobilização de ajuda internacional e os alertas da ONU destacam a urgência da situação, com a comunidade global observando atentamente os desdobramentos deste conflito diplomático e humanitário que coloca em risco o bem-estar de milhões de cidadãos cubanos.