O Ibovespa iniciou o pregão desta terça-feira (19) em forte queda, recuando mais de 1% e operando na faixa dos 175.440 pontos. O movimento é marcado pela cautela dos investidores diante do cenário político doméstico e das incertezas no exterior.
Pressão política e eleitoral
A nova pesquisa eleitoral, que mostra perda de força de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, adicionou pressão aos ativos brasileiros. O mercado também acompanha a audiência do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Além de Galípolo, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, participa por videoconferência de um evento promovido pelo Santander. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda em São Paulo com representantes do setor da construção civil.
Bancos lideram perdas
Entre os destaques negativos da Bolsa, os grandes bancos operavam em queda generalizada. O Itaú (ITUB4) liderava as perdas, com recuo de -2,07%, seguido pelo Bradesco (BBDC4), em -1,59%. O Santander (SANB11) caía -1,45%, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) recuava -1,27%. O dólar operava em 5,05 reais às 11h.
Cenário internacional
Nos mercados globais, a tentativa de estabilidade após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspender temporariamente um ataque planejado contra o Irã e indicar possibilidade de avanço nas negociações para um acordo nuclear. A sinalização ajudou a aliviar parcialmente os preços do petróleo, embora os investidores ainda demonstrem preocupação com os impactos inflacionários do conflito no Oriente Médio.
Para Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, o mercado continua operando sob forte aversão ao risco, especialmente pelo receio de que o petróleo elevado continue pressionando a inflação global. “Mesmo com a notícia de que o governo Trump teria adiado um possível ataque ao Irã, o mercado não conseguiu sustentar um movimento de otimismo. O receio agora é justamente o impacto inflacionário de um barril de petróleo mais alto por mais tempo”, afirma.
Segundo Yamashita, o Brent recuava cerca de 1,4% nesta manhã, negociando próximo de 110 dólares o barril, mas a queda da commodity não foi suficiente para melhorar o humor das bolsas. “A preocupação com inflação fez o mercado aumentar a aversão ao risco. Isso também aparece no câmbio, com o dólar voltando a subir frente ao real e operando novamente acima dos 5 reais”, explica o especialista.
O estrategista também destaca que os investidores seguem atentos aos próximos eventos nos Estados Unidos, especialmente à divulgação da ata do Federal Reserve e ao balanço da Nvidia, que deve trazer novas sinalizações sobre inteligência artificial e tecnologia.



