Cessar-fogo entre EUA, Israel e Irã é anunciado, mas Líbano fica de fora
Cessar-fogo entre EUA, Israel e Irã é anunciado

Cessar-fogo entre EUA, Israel e Irã é anunciado, mas Líbano fica de fora

A comunidade internacional reagiu com otimismo e satisfação nesta quarta-feira (8) ao anúncio de um cessar-fogo na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. No entanto, cresceram os apelos para que a trégua também inclua o Líbano, algo que no momento está sendo contestado pelo governo israelense. O acordo, que tem validade de duas semanas, foi confirmado por autoridades de ambos os lados e representa um passo significativo rumo à desescalada do conflito.

Reações internacionais ao cessar-fogo

Diversos líderes e países expressaram suas opiniões sobre o anúncio. O Papa Leão XIV recebeu a notícia com "grande satisfação", enquanto Emmanuel Macron, presidente da França, classificou o cessar-fogo como uma "coisa muito boa", mas enfatizou a necessidade de incluir o Líbano, que enfrenta uma situação crítica. Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, celebrou a desescalada e disse estar pronto para um cessar-fogo em sua guerra contra a Rússia. Pedro Sanchez, premiê da Espanha, saudou a trégua, mas afirmou que é "inaceitável" que a guerra continue no Líbano.

A Arábia Saudita também celebrou o cessar-fogo, mas destacou que o Estreito de Ormuz precisa ser reaberto para garantir a estabilidade regional. Ursula von der Leyen, chefe da União Europeia, celebrou o acordo por "trazer uma desescalada muito necessária neste momento".

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Objetivos cumpridos e negociações avançadas

O presidente norte-americano alegou que todos os objetivos militares dos EUA no Irã já foram cumpridos e que as negociações para um acordo definitivo de paz estão avançadas. Segundo Donald Trump e o chanceler do Irã, Abbas Araqchi, o acordo de não agressão terá uma validade de duas semanas, durante as quais o Estreito de Ormuz permanecerá aberto. Trump declarou que os EUA receberam uma proposta de plano de paz do Irã com 10 pontos, considerada uma base viável para negociação, e que quase todos os pontos de divergência já foram acordados entre os dois países.

"Um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e concluído", disse Trump. Autoridades da Casa Branca confirmaram que Israel também fará parte da trégua, enquanto a mídia israelense afirmou que o cessar-fogo inclui o Líbano, embora isso seja contestado. O Paquistão confirmou que as conversas entre negociadores de EUA e Irã começarão na próxima sexta-feira (10), em Islamabad.

Confirmação do Irã e detalhes do acordo

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou que um acordo entre os dois países havia sido fechado. Segundo ele, Teerã vai suspender ações defensivas desde que os ataques contra o país sejam interrompidos. Araghchi afirmou que a passagem pelo Estreito de Ormuz será segura durante a trégua, com algumas condições, incluindo coordenação com as Forças Armadas do Irã.

O ministro iraniano também declarou que os Estados Unidos pediram negociações com base em uma proposta de 15 pontos e aceitaram o plano de 10 pontos do Irã como base para o diálogo. A TV estatal do Irã classificou o acordo como um "recuo humilhante de Trump" e disse que os EUA aceitaram os termos de Teerã, embora a mídia iraniana tenha afirmado que a trégua não representa o fim da guerra.

Proposta de paz do Irã e tensões regionais

Segundo Teerã, a proposta de paz enviada pelo país exige:

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  1. Não agressão
  2. Permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz
  3. Aceitação do enriquecimento de urânio por parte do Irã
  4. Suspensão de todas as sanções primárias ao Irã
  5. Suspensão de todas as sanções secundárias ao Irã
  6. Revogação de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU
  7. Revogação de todas as resoluções do Conselho de Governadores da AIEA
  8. Pagamento de indenização ao Irã
  9. Retirada das forças de combate dos EUA da região
  10. Cessão da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano

As ameaças de Trump elevaram a tensão na comunidade internacional, com alertas sobre possíveis crimes de guerra em caso de ataques a alvos civis iranianos. Havia temores de que ataques a instalações nucleares provocassem um acidente radiológico grave, com impactos que poderiam ultrapassar as fronteiras do Irã. O governo iraniano indicou que poderia retaliar bombardeando usinas de energia de países vizinhos, o que poderia pressionar os preços do petróleo e colocar em risco o abastecimento de água na região.

Ataques recentes e anúncio de Trump

Horas antes do prazo dado por Trump expirar, bombardeios foram registrados no Oriente Médio. Os Estados Unidos atacaram a estratégica ilha de Kharg, que concentra cerca de 90% do petróleo produzido no Irã, mas pouparam áreas petrolíferas. Israel afirmou ter realizado "amplos ataques" no território iraniano, atingindo pontes, ferrovias, aeroportos e edifícios. O Irã reagiu, convocando a população a formar escudos humanos ao redor de usinas e lançando ataques contra países como Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein.

No anúncio oficial, Trump declarou: "Com base em conversas com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e com o marechal de campo Asim Munir, do Paquistão, nas quais solicitaram que eu suspendesse a força destrutiva que seria empregada esta noite contra o Irã, e condicionado ao fato de a República Islâmica do Irã concordar com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!"

Ele acrescentou que os objetivos militares foram cumpridos e que as negociações para um acordo de paz de longo prazo estão avançadas, com a proposta de 10 pontos do Irã servindo como base viável. "Quase todos os pontos de divergência do passado já foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e concluído", finalizou Trump.