Líder militar de Burkina Faso afirma que democracia 'mata' e deve ser esquecida
Burkina Faso: líder militar diz que democracia 'mata' e deve ser esquecida

Líder militar de Burkina Faso declara que democracia 'mata' e deve ser esquecida

O governante militar de Burkina Faso, capitão Ibrahim Traoré, afirmou nesta sexta-feira, 3 de abril de 2026, que a democracia "mata" e a população deve "esquecê-la". Em entrevista transmitida pela televisão estatal, o líder que tomou o poder em um golpe há três anos sugeriu que a maioria dos africanos não deseja viver sob o Estado de direito.

Críticas ao modelo ocidental e proposta alternativa

"As pessoas precisam esquecer a questão da democracia. A democracia não é para nós", declarou Traoré durante a entrevista abrangente. "Vejam a Líbia, este é um exemplo próximo de nós", acrescentou, referindo-se ao regime de Muammar Kadafi, onde repressão sistêmica coexistia com subsídios sociais.

O líder militar argumentou que "onde quer que eles (as potências ocidentais) tentem estabelecer a democracia no mundo, isso sempre é acompanhado de derramamento de sangue". Em vez disso, ele propõe uma "abordagem alternativa" baseada na soberania, patriotismo e mobilização revolucionária.

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Fim dos partidos políticos e extensão de mandato

Traoré, que inicialmente prometeu restaurar o regime democrático até julho de 2024, tomou medidas contrárias a essa promessa. Dois meses antes do prazo, a junta militar anunciou a extensão de seu mandato por mais cinco anos.

Em janeiro de 2026, autoridades anunciaram a proibição de todos os partidos políticos como parte de um plano para "reconstruir o Estado". "A verdade é que a política na África – ou pelo menos o que vivenciamos em Burkina Faso – é que um verdadeiro político é alguém que personifica todos os vícios: um mentiroso, um bajulador, um falastrão", justificou o líder.

Repressão sistêmica e alinhamento com a Rússia

Ao longo de seu governo, Traoré fez da repressão de dissidentes uma política de Estado, silenciando a oposição, a imprensa e grupos da sociedade civil. Ele chegou a ser acusado de punir críticos enviando-os para a linha de frente da guerra contra grupos armados islâmicos.

Um relatório da ONG Human Rights Watch revelou na quinta-feira, 2 de abril, que mais de 1.800 civis foram mortos em Burkina Faso desde que Traoré assumiu o poder em 2023. Dois terços das vítimas estariam conectadas aos militares e milícias aliadas, enquanto o restante seria atribuído aos grupos armados islâmicos.

Sob Traoré, Burkina Faso seguiu o exemplo de seus vizinhos Mali e Níger, também governados por juntas militares, afastando-se da cooperação com países europeus, especialmente a França. Os três países recorreram à Rússia em busca de assistência militar, mas a violência continua desenfreada na região.

Pan-africanismo e autossuficiência

Apesar das críticas internacionais, Traoré conquistou seguidores em todo o continente por sua visão pan-africanista e críticas à influência ocidental. Durante a entrevista, ele enfatizou a importância da autossuficiência econômica e militar de Burkina Faso.

O líder militar também defendeu o trabalho árduo, afirmando que jornadas de seis ou oito horas não permitiriam que o país alcançasse o patamar das nações mais ricas. "Teremos nossa própria abordagem, não estamos tentando copiar ninguém. Estamos aqui para mudar completamente a forma como as coisas são feitas", declarou, sem fornecer detalhes específicos sobre seu novo sistema proposto.

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