O bancário Fernando Astolphi e o empresário Samadhi Miqueri Muller, ambos moradores de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, enfrentaram uma situação inesperada durante uma viagem de negócios. Os dois brasileiros ficaram retidos por seis dias em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, devido ao fechamento dos aeroportos na região, consequência direta dos reflexos da guerra no Oriente Médio. Após esse período de incerteza, conseguiram finalmente desembarcar na China nesta quarta-feira, 4 de março, onde estão programados para participar de uma importante feira de negócios.
Uma parada forçada em meio ao conflito
Com a restrição severa das atividades no Aeroporto Internacional de Dubai, um dos maiores e mais movimentados terminais aéreos do mundo, Astolphi e Muller viram seus planos originais serem completamente alterados. A dupla havia embarcado em um voo às 3h40 da manhã no horário do Brasil, o que correspondia às 10h40 em Dubai, com a intenção de fazer uma breve parada de três dias nos Emirados Árabes. No entanto, os efeitos dos conflitos armados entre Estados Unidos, Israel e Irã, que se intensificaram a partir do sábado, 28 de fevereiro, obrigaram-nos a permanecer em Dubai entre quinta-feira, 26 de fevereiro, e esta quarta-feira.
Chegada à China e retomada dos negócios
Em contato com a reportagem, Samadhi Muller relatou que ele e o companheiro de viagem já se encontram em Shenzhen, cidade chinesa que sedia a feira de negócios. "Vínhamos para Hong Kong, descemos no aeroporto e já chegamos ao hotel em Shenzhen", explicou o empresário, demonstrando alívio por ter superado os obstáculos logísticos. A chegada ao destino final marca o fim de uma jornada conturbada, mas também o início da participação no evento comercial que motivou a viagem.
O contexto do fechamento dos aeroportos
Os conflitos que impactaram a viagem dos brasileiros tiveram início quando Estados Unidos e Israel lançaram bombardeios massivos contra o território iraniano no sábado, 28 de fevereiro. Os ataques resultaram na morte do então líder supremo do Irã, Ali Khamenei, além de diversas autoridades militares do país. Como resposta, o Irã iniciou uma série de ataques retaliatórios contra Israel e contra nações do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, como Catar, Emirados Árabes e Kuwait.
Essa escalada de violência levou ao fechamento ou à restrição severa do fluxo aéreo em aeroportos-chave da região, incluindo Dubai, Abu Dhabi e Doha. Grande parte do espaço aéreo do Oriente Médio permaneceu interditado por vários dias, criando um cenário de caos para viajantes internacionais. A gestora de aeroportos de Dubai chegou a anunciar, na segunda-feira, que os voos nos aeroportos internacionais de Dubai e de Al Maktoum foram retomados, mas apenas "de forma limitada", o que prolongou a espera de passageiros como Astolphi e Muller.
Balanço humanitário e continuidade dos conflitos
Desde o início dos ataques, a situação humanitária tem se agravado. A organização Crescente Vermelho do Irã informou, em atualização divulgada na segunda-feira, 2 de março, que 555 pessoas já foram mortas no país. Do lado norte-americano, as autoridades confirmaram a morte de três militares desde o começo da guerra, com o então presidente Donald Trump prometendo vingar as baixas. "Infelizmente, haverá mais [mortes] antes que [a guerra] acabe. Mas os Estados Unidos vão vingar seus mortos e desferir o golpe mais devastador aos terroristas", declarou Trump em pronunciamento no domingo.
Os bombardeios diários entre as nações envolvidas continuam, com o Irã disparando mísseis contra território israelense e bases norte-americanas, enquanto EUA e Israel mantêm ofensivas contra alvos iranianos. Esse ciclo de violência não apenas transformou o panorama geopolítico da região, mas também afetou diretamente civis e viajantes, como demonstra o caso dos dois brasileiros de São José do Rio Preto.
A experiência de Astolphi e Muller serve como um exemplo vívido de como conflitos internacionais podem repercutir na vida de cidadãos comuns, alterando rotinas, planos de negócios e causando transtornos significativos. Apesar dos desafios, a dupla conseguiu seguir adiante com seus objetivos profissionais, chegando à China para a feira que motiva sua jornada internacional.
