Ataques de Israel e EUA em Teerã causam devastação civil e mortes em bairros residenciais
Uma mãe permanece de pé junto aos escombros, clamando por sua filha. Há dias, ela aguarda que equipes de resgate iniciem a escavação dos destroços do que antes era o apartamento de sua filha em Resalat, um bairro residencial na zona leste de Teerã, no Irã. "Eles não têm pessoal suficiente para tirá-la de lá", afirma a mulher, desesperada. "Ela tem medo do escuro." Este cenário desolador se repete em várias partes da cidade, onde civis estão presos entre bombardeios aéreos de Israel e Estados Unidos e um regime repressivo que respondeu a protestos com brutalidade em janeiro.
Impacto devastador em áreas civis
Desde o início da guerra, há um mês, a BBC Eye coletou imagens exclusivas de jornalistas independentes dentro de Teerã, revelando uma série de ataques contra alvos ligados ao Estado, localizados em bairros civis, com consequências mortais para os moradores. Em 9 de março, um ataque aéreo israelense destruiu um prédio de apartamentos em Resalat, onde dezenas de famílias residiam. Uma mulher e sua filha pequena foram encontradas mortas sob os escombros dias após o ataque, enquanto o marido sobreviveu. Um prédio vizinho também foi atingido, deixando um homem de 55 anos sem documentos e pertences. Autoridades locais estimam que entre 40 e 50 pessoas morreram neste único incidente, com desabrigados sendo hospedados em um hotel próximo.
As Forças de Defesa de Israel afirmaram ter como alvo um prédio militar usado pela Basij iraniana, uma força paramilitar. No entanto, análises das consequências mostram que o impacto se estendeu muito além desse local. Imagens de satélite e verificações da BBC Eye indicam que pelo menos quatro edifícios foram destruídos em rápida sucessão, com estruturas residenciais ao redor sofrendo danos graves. Especialistas militares sugerem que a Força Aérea Israelense está usando bombas da série Mark 80, particularmente a Mark 84 de 907 kg, em Teerã. A escala de destruição em Resalat é consistente com o uso dessa bomba poderosa, levantando questões sobre a legalidade sob o direito humanitário internacional.
Violência em bairros movimentados
Resalat não é um caso isolado. Israel afirma ter lançado mais de 12 mil bombas em todo o Irã, com 3.600 somente em Teerã, enquanto os EUA atingiram mais de 9.000 alvos. Muitos desses ataques visam delegacias de polícia, prédios da milícia Basij e outros alvos militares, frequentemente situados em bairros civis movimentados. Em 1º de março, um ataque israelense atingiu uma delegacia perto da praça Niloufar, onde famílias estavam reunidas após o jejum do Ramadã. Testemunhas relataram pelo menos 20 mortes e descreveram uma "luz aterrorizante" seguida por múltiplas explosões, com moradores sendo pegos de surpresa.
De acordo com a agência de notícias HRANA, 1.464 civis, incluindo pelo menos 217 crianças, foram mortos no Irã no primeiro mês do conflito. O direito internacional humanitário exige que as partes distingam entre bens civis e objetivos militares, evitando danos desproporcionais. Especialistas em direito humanitário acreditam que o uso de bombas pesadas em áreas densamente povoadas pode ser ilegal, considerando os riscos aos civis.
Falta de segurança e resposta governamental
Em Teerã, moradores criticam as autoridades iranianas pela resposta inadequada à guerra. Eles relatam pouca provisão de medidas básicas de segurança, como abrigos públicos, apoio à evacuação ou acomodação temporária. "Não há sirenes, nem avisos", disse um residente. "Só se ouve a explosão." Com um apagão contínuo da internet e falta de comunicação clara, muitos se sentem expostos e incertos, sem saber quando ou onde o próximo ataque pode ocorrer. O governo iraniano não divulgou protocolos nacionais de defesa civil, agravando a sensação de insegurança.
Enquanto os Estados Unidos e Israel afirmam visar a infraestrutura do Estado iraniano, as consequências são sentidas profundamente pelos civis. Para aqueles que vivenciam a guerra, a pressão se mede em casas perdidas, famílias destruídas e uma crescente percepção de que nenhum lugar é verdadeiramente seguro. A BBC questionou as Forças de Defesa de Israel sobre os incidentes, que confirmaram os ataques sem mais comentários, enquanto o Departamento de Defesa dos EUA não respondeu.



