Agência nuclear da ONU emite alerta urgente sobre risco de catástrofe radioativa no Irã
O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, emitiu um alerta grave nesta segunda-feira, 6 de abril de 2026, sobre o que classificou como um "risco real" de desastre radioativo no Irã. A declaração ocorreu após ataques militares dos Estados Unidos e Israel que atingiram áreas a apenas 75 metros do perímetro da usina nuclear de Bushehr, localizada às margens do Golfo Pérsico.
Bombardeios próximos à instalação nuclear elevam tensão regional
Grossi, que lidera o órgão de fiscalização nuclear das Nações Unidas, foi enfático em sua mensagem publicada na rede social X: "Nunca se deve atacar uma instalação nuclear, nem seus arredores". A AIEA confirmou através de análise de imagens de satélite que os ataques ocorreram extremamente próximos à usina, embora a estrutura principal não tenha sido danificada diretamente.
Segundo o diretor da agência, ataques nessas proximidades poderiam desencadear um grave acidente radiológico com consequências devastadoras para a população e o meio ambiente, não apenas no Irã, mas também em países vizinhos. A usina de Bushehr, construída com assistência russa, representa o único reator nuclear operacional do país persa para fins energéticos.
Resposta iraniana e evacuação de trabalhadores
Após os bombardeios do último sábado, as autoridades iranianas relataram que um segurança foi morto por um projétil que atingiu próximo ao perímetro da instalação. Além disso, um dos edifícios auxiliares da usina sofreu danos significativos devido à onda de choque e estilhaços resultantes do impacto.
A imprensa estatal russa informou que 198 trabalhadores foram evacuados da usina como medida de segurança, enquanto aproximadamente 100 funcionários russos permaneceram no local. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, emitiu uma advertência severa aos Estados Unidos e Israel, alertando que "a chuva radioativa acabará com a vida nas capitais do Conselho de Cooperação do Golfo", referindo-se especificamente ao Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Contexto do programa nuclear iraniano e tensões internacionais
O programa nuclear do Irã encontra-se no epicentro das hostilidades que envolvem Estados Unidos, Israel e a nação persa, criando um cenário de instabilidade generalizada no Oriente Médio desde 28 de fevereiro. A coalizão israelo-americana acusa Teerã de utilizar seu programa atômico para fins militares, justificando ações militares como forma de impedir o desenvolvimento de armas nucleares.
Apesar das reiteradas negações iranianas sobre qualquer projeto nuclear militar, a AIEA revelou que o país mantém estoque de urânio enriquecido em até 60%, totalizando mais de 400 quilos do material. Este patamar está tecnicamente próximo dos 90% de pureza considerados necessários para a produção de uma bomba atômica.
Escalada de tensões e deterioração de acordos internacionais
A situação atual representa mais um capítulo na deterioração do acordo nuclear de 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global. Desde a saída unilateral dos Estados Unidos do pacto durante o primeiro mandato de Donald Trump, o Irã ampliou progressivamente seus níveis de enriquecimento de urânio e reduziu a cooperação com inspetores internacionais.
Em junho de 2025, os Estados Unidos já haviam realizado bombardeios contra instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito com Israel. Segundo estimativas anteriores da AIEA, antes desses ataques, Teerã possuía aproximadamente 440 kg de urânio enriquecido a 60%, com parte desse material armazenado em túneis profundos próximos ao complexo nuclear de Isfahan e em instalações fortificadas subterrâneas.
O governo iraniano considera as ações militares recentes como uma "traição à diplomacia" que torna qualquer reabertura do diálogo inútil. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Beghaei, foi categórico ao afirmar que "não há conversas nem negociações entre o Irã e os Estados Unidos" e que "ninguém pode confiar na diplomacia dos Estados Unidos".
Enquanto isso, a imprensa americana noticiou que Washington avalia a possibilidade de enviar forças especiais ao Irã para apreender material nuclear, com o secretário de Estado Marco Rubio afirmando em audiência no Congresso que "em algum momento, alguém terá que ir buscá-lo", referindo-se ao estoque de urânio enriquecido.



