União Brasil filia Pablo Marçal visando eleições em São Paulo, apesar de inelegibilidade
União Brasil filia Pablo Marçal para disputa em SP, mesmo inelegível

União Brasil oficializa filiação de Pablo Marçal com olho nas eleições de São Paulo

O empresário e figura polêmica das redes sociais, Pablo Marçal, formalizou sua filiação ao União Brasil nesta sexta-feira, dia 6, em cerimônia realizada na cidade de São Paulo. Segundo informações de membros da legenda, o movimento estratégico tem como objetivo principal preparar o terreno para que Marçal dispute uma vaga como deputado federal pelo estado paulista nas próximas eleições, atuando simultaneamente como um importante puxador de votos para o partido.

Trajetória política marcada por polêmicas e reviravoltas

A entrada de Pablo Marçal na política ocorreu em 2022, quando foi inicialmente considerado eleito para a Câmara dos Deputados. Contudo, após questionamentos judiciais sobre a regularidade de sua candidatura, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que ele não havia sido efetivamente eleito, anulando o resultado. No mesmo ano, o empresário chegou a lançar sua pré-candidatura à Presidência da República, mas a homologação nunca se concretizou.

Em 2024, Marçal retornou ao centro das atenções ao disputar a Prefeitura de São Paulo, protagonizando debates acalorados com outros candidatos. Em uma eleição extremamente apertada, ele obteve 28,14% dos votos no primeiro turno, ficando a apenas 56,8 mil votos de diferença para Guilherme Boulos (PSOL), que alcançou 29,07%.

Inelegibilidade até 2032 e acordos judiciais recentes

Apesar dos planos ambiciosos do União Brasil, Pablo Marçal enfrenta um obstáculo considerável: ele está oficialmente inelegível até o ano de 2032. A decisão foi confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) no final de 2025, após a constatação de que sua campanha de 2024 realizou um "concurso de cortes" para redes sociais, configurando uso indevido dos meios de comunicação. Embora o caso ainda possa ser revisto pelo TSE, a situação permanece incerta.

Paralelamente, o empresário busca resolver outros processos judiciais que o perseguem. Na semana passada, ele aceitou um acordo na Justiça Eleitoral para arquivar o caso do laudo falso divulgado contra Guilherme Boulos na véspera do primeiro turno das eleições municipais. Pelos termos do acordo, Marçal e seu ex-advogado, Tássio Renam Souza Botelho, devem comparecer mensalmente ao fórum, estão proibidos de frequentar bares e casas noturnas, e não podem sair da cidade de São Paulo sem autorização judicial.

Nesta segunda-feira, dia 2, outro acordo judicial foi firmado, desta vez com o apresentador José Luiz Datena, antigo adversário eleitoral. O tratado encerra as ações judiciais movidas reciprocamente devido ao famoso episódio da "cadeirada", marcando mais um capítulo na trajetória conturbada do empresário.

Cenário político do União Brasil e estratégias para 2026

A filiação de Pablo Marçal ocorre em um momento de redefinições para o União Brasil. Após a saída do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), da sigla, o partido não possui mais um candidato próprio à Presidência da República. O presidente da legenda, Antonio Rueda, já declarou publicamente que o União Brasil não deve se alinhar ao projeto de reeleição do presidente Lula.

Diante desse cenário, as possibilidades em discussão incluem:

  • Manter neutralidade na disputa presidencial, liberando alianças regionais
  • Lançar um novo nome próprio para a corrida ao Planalto
  • Apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência

No estado de São Paulo, o União Brasil, que compõe uma federação com o Progressistas, deve apoiar a reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo estadual. Na chapa, está prevista a disputa de uma das vagas ao Senado pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário da Segurança Pública.

A aposta em Pablo Marçal representa uma estratégia arriscada para o União Brasil, que busca capitalizar a popularidade do empresário nas redes sociais, mesmo diante das incertezas jurídicas e da inelegibilidade que podem comprometer seus planos eleitorais.