Sônia Guajajara é internada em UTI no InCor após mal-estar e anuncia saída do ministério
Sônia Guajajara internada em UTI e deixa ministério para eleição

Sônia Guajajara hospitalizada em UTI e anuncia saída do ministério para disputa eleitoral

A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara (PSOL), foi internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor-HCFMUSP), para investigação de um quadro infeccioso. A ministra foi hospitalizada após apresentar mal-estar, febre alta e dor abdominal, conforme informações divulgadas oficialmente.

Estado de saúde e acompanhamento médico

Segundo nota publicada em suas redes sociais, a ministra apresenta evolução clínica favorável desde a admissão no hospital, com melhora significativa dos sintomas e estabilidade dos sinais vitais. Por orientação médica, Sônia Guajajara segue hospitalizada em observação, realizando exames complementares e recebendo acompanhamento clínico especializado.

O atendimento está sendo conduzido pelo cardiologista Sérgio Timerman e pelo infectologista Rinaldo Focaccia Siciliano, ambos com vasta experiência em casos complexos. A equipe médica não divulgou previsão de alta, mantendo a ministra sob monitoramento constante para garantir sua recuperação completa.

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Decisão política: saída do ministério para eleições

Na sexta-feira (20), Sônia Guajajara anunciou que deixará o cargo de ministra para disputar a reeleição como deputada federal por São Paulo. Segundo ela, o último dia à frente da pasta deve ser 30 de março, marcando uma transição planejada no Ministério dos Povos Indígenas (MPI).

Eloy Terena, secretário-executivo do ministério e número dois da pasta, deve assumir o cargo interinamente, garantindo continuidade nas políticas públicas voltadas aos povos indígenas. A decisão ocorre em um momento crucial para a pauta indigenista no país.

Legado e conquistas na gestão ministerial

Em entrevista recente, a ministra falou sobre sua gestão e os desafios dos últimos três anos, destacando como principal legado "a retomada da demarcação das terras indígenas, a desintrusão de invasores dos territórios, mas sobretudo, trazer a pauta indígena para a centralidade do debate público e da política pública".

Sônia Guajajara afirmou ainda que, por vezes, não entendia a paralisação de demarcações, que tem como pano de fundo o impasse jurídico entre Supremo Tribunal Federal (STF) e Congresso Nacional. Enquanto os ministros do Supremo negaram por maioria o marco temporal, o Congresso aprovou a lei sobre o tema, criando um cenário complexo para as políticas territoriais.

Avancos significativos nas demarcações

O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) foi criado em janeiro de 2023, no começo do terceiro governo Lula (PT), com o objetivo de levar a questão indigenista ao primeiro escalão do Executivo. Esta foi uma promessa do presidente, buscando garantir os direitos constitucionais de 1,7 milhão de pessoas e 305 etnias, assumindo a gestão direta de políticas de demarcação e a proteção de povos isolados.

Sônia destacou um avanço considerável nas políticas territoriais, com a homologação de 20 terras indígenas nos últimos três anos. Este balanço supera o total da década anterior, que registrou apenas 11 homologações, demonstrando uma aceleração significativa no processo.

Cronograma de retomada das demarcações

Segundo o ministério, o cronograma de retomada teve início em 2023, com seis áreas oficializadas em abril daquele ano:

  • Arara do Rio Amazônia (AC)
  • Kariri Xocó (AL)
  • Rio dos Índios (RS)
  • Tremembé da Barra do Mandaú (CE)
  • Uneiuxi (AM)
  • Ava Canoeiro (GO)

Em setembro do mesmo ano, foram homologadas as terras indígenas Rio Gregório (AC) e Acapuri de Cima (AM). Em 2024, as ações contemplaram as TIs Cacique Fontoura (MT) e Aldeia Velha (BA) em abril, além de Potiguara de Monte-Mor (PA), Morros dos Cavalos (SC) e Toldo Imbu (SC) em dezembro.

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Em 2025, o Ceará recebeu três novas áreas homologadas em agosto (Pitaguary, Lagoa Encantada e Tremembé de Queimadas), durante a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas. Em novembro, durante a COP 30, em Belém, houve a homologação de quatro territórios: Kaxuyana-Tunayana (PA/AM), Parecis (MT), Uirapuru (MT) e Manoki (MT).

Transição política e futuro da pauta indígena

A saída de Sônia Guajajara do ministério representa um momento de transição importante para a política indigenista brasileira. Sua candidatura à reeleição como deputada federal por São Paulo mantém sua atuação no cenário político nacional, com foco na defesa dos direitos indígenas e na continuidade das políticas de demarcação territorial.

O Ministério dos Povos Indígenas, criado como uma conquista histórica para o movimento indígena, segue com a missão de garantir os direitos constitucionais das populações originárias, enfrentando desafios como o impasse jurídico sobre o marco temporal e a pressão por avanços nas demarcações de terras.