Partido Novo aciona TSE contra homenagem a Lula no Carnaval da Sapucaí
Em uma movimentação jurídica que promete agitar os preparativos para o Carnaval 2026, o partido Novo protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira, alegando que a homenagem preparada pela escola de samba Acadêmicos de Niterói ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva constitui propaganda eleitoral antecipada. A ação pede, entre outras medidas, que o desfile da agremiação e sua transmissão pelos meios de comunicação sejam barrados, intensificando as tensões políticas às vésperas dos desfiles do grupo especial na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.
Ministra indicada por Lula deve decidir sobre o caso
O caso está sob a responsabilidade da ministra Estela Aranha, que foi indicada para uma cadeira no TSE pelo próprio presidente Lula no ano passado. Há uma expectativa significativa de que a ministra decida nesta quarta-feira se acatará os pedidos do partido Novo, os quais incluem impedir não apenas o desfile, mas também a exibição do evento na mídia. A decisão poderá impactar diretamente os planos da Acadêmicos de Niterói, que já realizou ensaios técnicos e preparativos extensivos para a apresentação.
Conteúdo do samba-enredo é alvo de questionamentos
O partido Novo questiona especificamente o samba-enredo intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A letra do samba narra a história de Eurídice Ferreira de Mello, mãe de oito filhos, que fez uma viagem épica de “13 noites e 13 dias” com sua família, em um caminhão “pau-de-arara”, entre Garanhuns, no interior de Pernambuco, e a periferia de Guarujá, no litoral paulista. Segundo a oposição, essa narrativa, ao exaltar a trajetória do presidente, configura uma forma de promoção política ilegal antes do período eleitoral permitido.
Ensaio técnico já havia gerado polêmica anterior
O ensaio técnico da escola de samba de Niterói, realizado na última sexta-feira, já havia sido alvo de críticas por parte de bolsonaristas. Durante o evento, imagens com referências irônicas a Jair Bolsonaro foram exibidas em telões utilizados pela agremiação, aumentando as controvérsias em torno do desfile. Esses incidentes anteriores contribuíram para o clima de tensão que agora se reflete na ação judicial do partido Novo, destacando como o Carnaval, tradicionalmente uma festa popular, tem se tornado um palco para disputas políticas acirradas.
A situação coloca em evidência a interseção entre cultura e política no Brasil, com implicações potenciais para as eleições futuras e a regulamentação da propaganda eleitoral. Enquanto aguarda-se a decisão da ministra Estela Aranha, o caso continua a gerar debates sobre os limites da expressão artística e a influência política em eventos de grande visibilidade como o Carnaval carioca.



