Lula proíbe ministros de desfile de Carnaval em sua homenagem no Sambódromo
Lula veta ministros em desfile de Carnaval em sua homenagem

Presidente Lula veta participação de ministros em desfile carnavalesco em sua homenagem

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) emitiu uma determinação formal para que ministros e auxiliares diretos do governo federal não participem do desfile de Carnaval que será realizado em sua homenagem neste domingo (15), no Sambódromo do Rio de Janeiro. A ordem estabelece que integrantes do primeiro escalão que desejarem assistir à apresentação da escola de samba Acadêmicos de Niterói deverão arcar com todos os custos de passagem e hospedagem de forma pessoal.

Exceção para primeira-dama e restrições a agendas oficiais

A proibição não se aplica à primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, que será um dos destaques do último carro alegórico da escola, seguido pela ala denominada Amigos de Lula. Janja não ocupa cargo formal no governo, o que justifica sua participação no evento. Aos ministros, também não será permitida a programação de agendas oficiais que, artificialmente, coincidam com o período do Carnaval carioca.

A orientação foi repassada à equipe governamental nesta quinta-feira (12), mesmo após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitar, por decisão unânime, dois pedidos de representação por propaganda eleitoral antecipada contra o presidente, o PT e a Acadêmicos de Niterói. A relatora do caso, ministra Estela Aranha – indicada ao tribunal por Lula –, rejeitou a suspensão do desfile argumentando que restringir manifestações artísticas e culturais previamente configuraria "censura prévia, indireta e restrição desproporcional ao debate democrático".

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Preocupação com questionamentos futuros e recomendações ao PT

Por sugestão do próprio governo, o Partido dos Trabalhadores deve fazer recomendação semelhante a ocupantes de cargos eletivos. A participação de ministros no desfile foi tema de diversas reuniões no Palácio do Planalto, onde se concluiu que, apesar de não haver impedimento legal, não se deve dar margem a questionamentos futuros. Por essa razão, apenas parentes e amigos do presidente deverão compor a ala, formada majoritariamente por integrantes do grupo de advogados Prerrogativas.

Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo, afirma que o desfile não possui caráter eleitoral. "Lembrando que Lula tem 60 anos de vida pública, estando no imaginário popular, é inconcebível a tentativa de criminalização da homenagem", declarou, ressaltando que tal ação configuraria censura prévia à escola de samba.

Recursos da Embratur e detalhes do enredo

Sobre a destinação de R$ 12 milhões da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo) à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), Carvalho esclarece que o valor foi dividido entre as escolas do Grupo Especial, cabendo R$ 1 milhão para cada uma. Lula, pré-candidato à reeleição, será homenageado pela Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial, com o enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil".

O enredo exalta a trajetória do mandatário e inclui trechos como o grito de guerra "olê, olê, olá, Lula! Lula!", o mote "o amor venceu o medo" e referência ao número do PT nas urnas ("por ironia, 13 noites, 13 dias"). A apresentação retrata a vida de Dona Lindu, mãe do presidente, frequentemente citada em seus discursos. O desfile tem animado Lula, que já apresentou o samba em jantares, inclusive com deputados.

Preocupações internas e reações democráticas

Colaboradores do presidente admitem, sob reserva, preocupação com a repercussão do evento. Além do risco de rebaixamento da escola e de vaias durante o percurso, avaliam ser um desgaste desnecessário, sem retorno político significativo. Sobre a possibilidade de vaias, Marco Aurélio Carvalho lembra que o próprio presidente costuma repetir que são inerentes à democracia, acrescentando que haverá aplausos na avenida.

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