José Dirceu confirma retorno à política com candidatura a deputado federal
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, do Partido dos Trabalhadores (PT), anunciou oficialmente sua candidatura a deputado federal para as eleições deste ano durante visita a Campinas, no interior de São Paulo, neste sábado (21). Aos 80 anos, o petista volta a disputar uma eleição após 24 anos longe das urnas, marcando um retorno significativo à vida política ativa.
Objetivos da campanha e estratégia eleitoral
Segundo o político, sua candidatura tem como objetivo principal aumentar a bancada paulista do PT no Congresso Nacional e servir como palanque para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado. "Nosso papel é fazer uma campanha em São Paulo, porque aqui o Lula ganhou a eleição de 2022, quando ele tirou 4 milhões de votos do Bolsonaro. Então nós queremos tirar 5, 6 do Flávio", declarou Dirceu em referência ao senador Flávio Bolsonaro.
O petista também destacou a importância de o PT disputar o governo de São Paulo com força: "E queremos disputar o governo com o Tarcísio. Acho que é muito importante o PT disputar esse governo de São Paulo com uma proposta para enfrentar o Tarcísio para valer".
Trajetória política e retorno após condenações
José Dirceu foi eleito deputado federal em 2002, quando obteve 556.563 votos e se tornou o segundo candidato mais votado para o cargo. Posteriormente, deixou a Câmara dos Deputados para assumir o Ministério da Casa Civil no primeiro governo Lula, mas renunciou em junho de 2005 em meio ao escândalo do mensalão.
Seu retorno ao Congresso foi marcado por turbulências: teve o mandato cassado em dezembro de 2005 e, em 2012, foi condenado pelo mensalão, cumprindo pena. Em 2016, o Supremo Tribunal Federal concedeu perdão de pena ao petista. Recentemente, em 2024, Dirceu voltou ao Congresso após 19 anos para participar de uma sessão solene em celebração à democracia brasileira.
Defesa de chapa ampla e estratégias partidárias
Durante o anúncio, Dirceu defendeu que o PT apoie um "perfil parecido ao de Simone Tebet" para a segunda vaga no Senado, mencionando a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, como uma hipótese viável. "Nós precisamos crescer em São Paulo. Essa é uma obsessão nossa", afirmou o político.
Ele também reforçou a importância da manutenção de Geraldo Alckmin na vice-presidência: "Eu venho falando há muito tempo que nós não devíamos, em hipótese alguma, discutir retirar o Alckmin da vice-presidência, porque eu acho que isso foi um acordo político, um pacto político que nós fizemos com o país, que deu certo".
Outras candidaturas na região de Campinas
Durante a visita a Campinas, onde almoçou com membros do partido, José Dirceu confirmou outras candidaturas petistas na região:
- Pedro Tourinho como candidato a deputado federal
- Guida Calixto para a Assembleia Legislativa do Estado
- Mariana Conti (PSOL) como candidata a deputada federal
"O PT deve e precisa lançar candidato em todas as grandes cidades e regiões administrativas do Estado. Inclusive para promover novas lideranças, principalmente lideranças jovens", argumentou Dirceu.
Trajetória pessoal e posicionamento atual
Natural de Passa Quatro, Minas Gerais, José Dirceu iniciou sua vida política como militante estudantil e chegou a ser preso durante a ditadura militar por participar do 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna, São Paulo. Seu primeiro mandato parlamentar foi como deputado estadual em São Paulo entre 1987 e 1990.
Sobre suas condenações, o petista afirmou: "Ao contrário de muitos outros, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, eu cumpri a pena, mesmo sendo inocente. E no caso da Lava Jato, o processo foi anulado". Dirceu também foi condenado na operação Lava Jato, mas a condenação foi posteriormente anulada por suspeição do então ministro Sérgio Moro.
Com esta candidatura, José Dirceu busca não apenas um retorno pessoal à política institucional, mas também fortalecer a presença do PT em São Paulo e influenciar as disputas estaduais e federais nas eleições deste ano.



