Desembargador exonera secretário nomeado por Castro após polêmica na eleição da Alerj
O desembargador Ricardo Couto, que atualmente exerce o cargo de governador interino do Rio de Janeiro, tomou uma medida política significativa ao exonerar um dos principais aliados do ex-governador Cláudio Castro (PL) no Palácio Guanabara. Nesta terça-feira, 31 de março de 2026, conforme publicado no Diário Oficial do estado, Jair Bittencourt (PL) deixou a Secretaria de Governo, em um ato considerado o primeiro movimento político do presidente do Tribunal de Justiça do Rio à frente do governo estadual.
Acusações de pressão na eleição da Alerj
Jair Bittencourt, que agora retorna à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), foi alvo de acusações por parte de deputados da oposição. Eles alegaram que o ex-secretário exerceu pressão para garantir a eleição de Douglas Ruas (PL) à presidência da Casa, durante uma convocação relâmpago realizada na última quinta-feira. A sessão, no entanto, foi suspensa por decisão do Tribunal de Justiça, adiando a votação e intensificando as tensões políticas.
Bittencourt havia sido nomeado por Cláudio Castro no dia 23 de março, pouco antes da renúncia do ex-governador, e permaneceu apenas uma semana no cargo, período em que acompanhou de perto os desdobramentos da eleição na Alerj. O ato de exoneração publicado no Diário Oficial menciona que a saída foi "a pedido", mas as circunstâncias levantaram questões sobre a influência política em jogo.
Reações e negações
Em resposta à exoneração, Jair Bittencourt postou um vídeo em suas redes sociais, afirmando que pediu sua saída "em respeito ao governador Ricardo Couto" e "em respeito à democracia". Ele reiterou negações anteriores sobre alegações de que teria feito ameaças a parlamentares, como cortes de verbas e cargos, durante o processo eleitoral na Alerj. Essas acusações, no entanto, continuam a ecoar nos corredores do poder, alimentando debates sobre ética e transparência na política fluminense.
Mudanças no Gabinete de Segurança Institucional
Além da exoneração de Bittencourt, o desembargador Ricardo Couto também realizou alterações no Gabinete de Segurança Institucional. Edu Guimarães de Souza foi exonerado do cargo de secretário, sendo substituído pelo delegado Roberto Lisandro Leão, que anteriormente atuou como corregedor da Força Municipal, uma divisão de elite armada da prefeitura de Eduardo Paes (PSD). Essa mudança sinaliza uma reestruturação na segurança pública do estado, com possíveis implicações para a gestão de crises e operações policiais.
Esses movimentos ocorrem em um contexto de transição política no Rio de Janeiro, marcado pela renúncia de Cláudio Castro e a ascensão temporária de um desembargador ao comando do estado. A exoneração de Jair Bittencourt e as acusações envolvendo a eleição da Alerj destacam os desafios de governabilidade e as tensões partidárias que permeiam o cenário político fluminense, com repercussões que podem influenciar futuras decisões administrativas e legislativas.



