Projeto de Medicina da Univás promove conscientização sobre doação de órgãos em Pouso Alegre
Acadêmicas do 4º ano do curso de Medicina da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás) estão desenvolvendo um projeto de curricularização que tem como objetivo principal conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos. As atividades, que incluem ações diretas com pacientes e familiares, buscam esclarecer dúvidas e combater preconceitos que ainda cercam esse tema crucial para a saúde pública.
Ações práticas no Hospital Oncológico Samuel Libânio
Uma das iniciativas mais significativas do projeto ocorreu no Hospital Oncológico Samuel Libânio, nesta quinta-feira, dia 19 de fevereiro. Durante a ação, as alunas conversaram diretamente com pacientes e seus familiares, distribuindo questionários educativos e oferecendo informações claras sobre o processo de doação.
A aluna Anne Schnaider Azevedo explicou que a escolha do tema surgiu após a turma acompanhar um recente transplante de coração realizado no Complexo Hospitalar Samuel Libânio (CHSL). "É fundamental mostrarmos para população a importância de doar órgãos", afirmou Anne. "Queremos com esse projeto atingir o máximo de pessoas possível para termos mais doadores e salvar mais vidas".
Combate ao preconceito e importância da família
A acadêmica Helena Teodoro Ferreira destacou um dos principais desafios enfrentados: o preconceito e a falta de conhecimento sobre morte encefálica. "Infelizmente, hoje em dia, tem muito preconceito e falta de conhecimento sobre o que é a morte encefálica", observou Helena.
Ela enfatizou que "uma das nossas funções é tirar o preconceito sobre o que é a morte encefálica e preparar a família para esse momento". A estudante ressaltou que a decisão final sobre a doação cabe sempre à família, tornando crucial o diálogo familiar sobre o assunto.
Orientadores destacam relevância social do projeto
O professor Dr. José Renato de Melo, que atua tanto na Univás quanto no CHSL, explicou que o Complexo Hospitalar é credenciado para transplantes de coração e rins, o que torna o projeto especialmente relevante. "Com esse projeto, estamos cumprindo nosso papel social de uma universidade que tem que andar junto com a sociedade", afirmou o docente.
Já o professor Dr. Alan Procópio, outro orientador da iniciativa, destacou que "o tema não é sobre morte, é sobre a continuação da vida". Ele esclareceu um equívoco comum: "Algumas pessoas têm o receio de não receber o cuidado ideal no intuito de ser doador de órgão, mas, na verdade, isso não existe".
Apoio da Comissão de Doação de Órgãos
O enfermeiro Paulo Sérgio dos Reis, da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), expressou total apoio à iniciativa das estudantes. "Que essa iniciativa possa derrubar os tabus em torno da doação de órgãos", disse ele.
Paulo Sérgio destacou a importância do diálogo familiar: "Se a pessoa falar em vida que ela é uma doadora de órgãos, isso nos ajuda muito quando precisamos atuar no hospital". Ele lembrou que muitos pacientes aguardam na fila por transplantes que podem significar uma melhora radical em sua qualidade de vida.
Impacto regional e participação das acadêmicas
O projeto tem potencial para beneficiar não apenas Pouso Alegre, mas toda a região do Vale do Sapucaí. As atividades desenvolvidas fora dos muros acadêmicos proporcionam um crescimento pessoal e profissional humanizado para as estudantes envolvidas.
Participam do projeto as acadêmicas:
- Anne Schnaider Azevedo
- Ana Laura Capistrano da Silva
- Gabrielle Maglioni Aparecida de Oliveira
- Ana Flávia Pereira
- Helena Teodoro Ferreira
- Gabrielle Ferreira Castro
- Ana Luiza Oliveira Grillo
- Ayslla Palhares Santos
- Ariana Oliveira Silva
- Bárbara Ribeiro Malaco
A iniciativa representa um exemplo concreto de como a universidade pode atuar em sintonia com as necessidades da comunidade, promovendo saúde pública através da educação e do diálogo aberto sobre temas essenciais.
