Tecnologia assistiva transforma vida de jovem com paralisia cerebral em Pederneiras
Tecnologia ajuda jovem com paralisia cerebral a se comunicar

Tecnologia assistiva transforma vida de jovem com paralisia cerebral em Pederneiras

Uma paixão musical compartilhada com milhares de fãs brasileiros está ajudando uma jovem de Pederneiras, no interior de São Paulo, a conquistar maior autonomia e melhorar sua comunicação. Camily Vitória Trevisan Tagliaboa, estudante diagnosticada com paralisia cerebral que frequenta a Apae da cidade, encontrou na música e na admiração pelo cantor Luan Santana um caminho para ampliar sua independência no cotidiano.

Comunicação através dos olhos

Com o apoio de tecnologias assistivas implementadas na instituição, Camily passou a acessar o YouTube de forma independente e a selecionar quais vídeos deseja assistir. Entre seus conteúdos preferidos estão as músicas do artista, com destaque especial para "Deja Vu". A tecnologia controlada por movimentos oculares permite que ela navegue pelas plataformas digitais e expresse suas preferências com maior facilidade.

A paixão por Luan Santana começou ainda na infância, influenciada pela irmã mais velha, que também era fã do cantor. Durante o período em que o artista se tornou fenômeno entre adolescentes, Camily acompanhou esse gosto musical dentro de casa. Segundo a equipe da Apae, como ela possui cognição preservada, sempre demonstrou interesse especial pelas letras e pelo ritmo das composições.

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Música como estímulo terapêutico

Durante os atendimentos terapêuticos, o repertório do cantor passou a ser utilizado como importante ferramenta de estímulo. De acordo com os profissionais da instituição, quando Camily chega ao local desanimada ou sem vontade de participar das atividades, ouvir as músicas costuma transformar completamente seu comportamento.

"Mesmo mais quieta, ao escutar as canções, ela reage melhor, sorri e participa mais ativamente das terapias", relatam os especialistas. Os estímulos musicais ajudam a provocar respostas positivas durante os atendimentos, contribuindo significativamente para seu desenvolvimento e engajamento.

Projeto de inclusão digital

A tecnologia chegou à instituição através do projeto "Mais Acesso – Laboratório de Tecnologia Assistiva na Educação Inclusiva", implementado após a Apae de Pederneiras ser selecionada em um edital social de uma empresa multinacional do setor de celulose. Com o investimento recebido, a escola estruturou um laboratório de informática acessível, equipado com recursos especializados.

Entre os equipamentos disponíveis estão mouse ocular, vocalizadores, teclados ampliados, softwares de comunicação e recursos voltados especificamente para pessoas com baixa visão. Essas ferramentas permitem que alunos com limitações na comunicação oral ou na mobilidade consigam expressar pensamentos, sentimentos e necessidades de maneira mais eficiente.

Processo de adaptação e treinamento

Segundo Dayane Brandão, coordenadora técnica da instituição, o processo de adaptação ao uso dos equipamentos exige acompanhamento contínuo e especializado. "A comunicação por meio desse software e dos equipamentos exige adaptação e envolve diversas variáveis. É um processo que funciona como um treinamento contínuo", explica a profissional.

"Quando identificamos que um aluno apresenta potencial para utilizá-los, conseguimos realizar a avaliação, os testes e o treinamento aqui mesmo na Apae", complementa Dayane, destacando a importância do suporte personalizado oferecido pela instituição.

Impacto social do investimento

Marcelo Quintino, gerente de responsabilidade social da empresa que financiou o projeto, enfatiza que o objetivo do edital é apoiar iniciativas que promovam inclusão e autonomia. "Investir em tecnologia assistiva é investir em autonomia, inclusão e dignidade. Ver alunos como a Camily ampliando sua capacidade de comunicação mostra que o impacto vai muito além da estrutura física", afirma o executivo.

A seleção do projeto foi competitiva: ao todo, 106 propostas foram inscritas no edital e apenas nove projetos foram selecionados em cinco municípios da região de atuação da empresa. Com o novo laboratório, a Apae de Pederneiras também poderá testar e treinar outros estudantes que possam se beneficiar das tecnologias assistivas.

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Ampliação das possibilidades

A implementação desses recursos tecnológicos está ampliando significativamente as possibilidades de comunicação e participação social dos alunos, tanto dentro quanto fora do ambiente escolar. A experiência de Camily demonstra como a combinação de paixões pessoais, suporte especializado e tecnologia adequada pode transformar vidas e abrir novos horizontes para pessoas com deficiência.

O caso serve como inspiração e exemplo concreto de como investimentos em tecnologia assistiva podem gerar impactos profundos na qualidade de vida e na inclusão social de indivíduos com necessidades especiais, promovendo maior autonomia e dignidade em seu cotidiano.