Fim do TAC impede educadores físicos licenciados de atuar em academias do Piauí
Licenciados em Educação Física proibidos de trabalhar em academias

Fim do acordo legal impede atuação de educadores físicos licenciados em academias piauienses

A partir de 19 de fevereiro, educadores físicos com formação em licenciatura estão formalmente proibidos de atuar em academias do Piauí. A medida decorre da expiração do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Conselho Regional de Educação Física (CREF) e o Ministério Público estadual.

Profissionais buscam prorrogação do prazo junto às autoridades

Na terça-feira (24), um grupo significativo de profissionais se reuniu na sede do CREF em Teresina para solicitar a prorrogação do acordo. O TAC, estabelecido em 2024, permitia que licenciados concluíssem as disciplinas necessárias para obter o bacharelado dentro de um prazo de dois anos, mantendo sua atuação durante esse período.

Conforme explicou o presidente do CREF-PI, Danys Queiroz, a solução imediata passa por negociar com o Ministério Público: "Vamos ouvir o procurador e levar a demanda ao plenário do conselho, que decidirá se concorda ou não com a continuidade". Ele alertou ainda que, caso a prorrogação não seja aceita, os profissionais poderão solicitar a anulação do registro para evitar multas e sanções administrativas.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Diferença crucial entre licenciatura e bacharelado

A distinção fundamental reside no foco de cada formação:

  • Licenciatura: voltada para a formação de professores, com ênfase em aspectos pedagógicos.
  • Bacharelado: prepara o profissional para atuação prática em academias, estúdios e clubes esportivos.

No entanto, estudantes como Andressa Fernandes, que se forma na Universidade Federal do Piauí (UFPI), argumentam que a realidade curricular é mais complexa: "Por mais que a formação seja em licenciatura, vimos todas as disciplinas de bacharel e tivemos todas as carga horárias. Temos competência para atuar nas academias".

Impactos financeiros e psicológicos nos profissionais

Andressa destacou as consequências diretas da medida: "Muita gente tem família e vive da educação física nas academias. Estamos na condição de não trabalhar. Eu vou me formar amanhã e já estou perdendo alunos". O cenário é particularmente preocupante considerando que, segundo dados do conselho, 360 licenciados atuam como responsáveis técnicos em academias piauienses.

Os números totais revelam a dimensão do problema:

  1. 3.006 profissionais licenciados no estado
  2. 2.788 bacharéis registrados
  3. 2.834 profissionais com dupla formação

Contexto histórico e fundamentação legal

Andressa lembrou que "antigamente, as universidades públicas ofereciam o curso de Educação Física pleno, que permitia atuar tanto na licenciatura quanto no bacharelado". Com as mudanças na nomenclatura, muitos currículos mantiveram conteúdos similares, mas a legislação do Supremo Tribunal de Justiça estabeleceu claramente que a atuação em academias deve ser atribuição exclusiva dos bacharéis.

A situação permanece em aberto enquanto o CREF aguarda posicionamento do Ministério Público sobre a possível prorrogação do termo, decisão que afetará diretamente centenas de profissionais e estabelecimentos em todo o Piauí.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar