TCU barra Ferrogrão: governo sofre revés técnico com parecer que questiona matemática financeira
TCU barra Ferrogrão após parecer que questiona matemática financeira

TCU barra Ferrogrão: governo sofre revés técnico com parecer que questiona matemática financeira

O governo federal enfrentou um reves técnico de peso em sua tentativa de acelerar a Ferrogrão, o ambicioso projeto ferroviário que visa ligar o Mato Grosso ao Pará. Um parecer técnico do Tribunal de Contas da União (TCU) barrou a continuidade do processo, recomendando a manutenção do sobrestamento por entender que o projeto ainda não tem maturidade suficiente para ir a leilão.

Mudanças no projeto invalidam audiências públicas anteriores

O documento do TCU sugere que as mudanças apresentadas na atualização dos estudos em 2024 são agravantes e alteram o núcleo essencial da concessão. Isso torna as audiências públicas realizadas anteriormente inválidas para o cenário atual, exigindo novas consultas à sociedade e aos povos indígenas, que já se manifestaram contra a obra em frente ao Supremo Tribunal Federal.

Matemática financeira do governo é questionada

A análise do TCU apontou falhas graves nos cálculos financeiros do Ministério dos Transportes. O governo projeta um aporte de 3,5 bilhões de reais, mas o tribunal detectou que as fontes de recursos podem não chegar a dois terços desse valor, criando um "buraco" fiscal significativo. Além disso, o orçamento estimado para mitigação de impactos ambientais e sociais disparou de 42 milhões de reais para 799 milhões de reais na versão de 2024.

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Investimentos cruzados são insuficientes

Os chamados "investimentos cruzados", previstos em 2,25 bilhões de reais, são inferiores à necessidade real do projeto, que foi orçado em 3,66 bilhões de reais. Essa discrepância reforça a tese do TCU de que a Ferrogrão ainda carece de estudos mais robustos e de um planejamento financeiro adequado antes de poder avançar.

O parecer técnico representa um obstáculo considerável para o governo, que buscava dar celeridade ao projeto considerado estratégico para o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste. Agora, será necessário revisar profundamente os estudos e corrigir as inconsistências apontadas pelo tribunal para que a Ferrogrão possa, eventualmente, sair do papel.

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