Ministro da Fazenda rebate impacto de medidas protecionistas americanas
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, garantiu neste sábado (21) que a competitividade do Brasil não será comprometida pelas tarifas globais de 10% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As declarações foram feitas à imprensa em Nova Déli, na Índia, onde Haddad acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em visita de Estado.
Posicionamento firme da diplomacia brasileira
"Nossa competitividade não é afetada, como já não era", afirmou o ministro, destacando que as medidas unilaterais dos EUA prejudicam principalmente o consumidor americano. "Nós dissemos desde sempre que isso ia prejudicar o consumidor americano, que no café da manhã, no almoço e no jantar consome produtos brasileiros", reforçou Haddad.
O ministro enfatizou a postura independente do país: "O Brasil é grande demais para ser quintal de quem quer que seja. Nós temos que ser parceiros do mundo todo". As novas tarifas, aplicadas na sexta-feira (20) e em vigor a partir do dia 24, representam uma resposta de Trump à decisão da Suprema Corte americana que considerou ilegais as taxas impostas anteriormente.
Contexto das medidas tarifárias
A instabilidade nas relações comerciais complica o cenário internacional, mas o ministro avalia que o Brasil tem colhido frutos da ação diplomática. "Obviamente que não queríamos estar passando por isso, mas eu penso que, diante do desafio, o Brasil e a diplomacia brasileira andaram bem", declarou Haddad.
As declarações ocorreram após evento da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) na capital indiana. A comitiva brasileira inclui empresários e autoridades que participam da cúpula de inteligência artificial sediada pelo país.
Isenções e impactos setoriais
As novas tarifas impostas por Trump apresentam isenções significativas para produtos brasileiros:
- Carne bovina
- Tomate
- Laranja
- Minerais críticos
O vice-presidente Geraldo Alckmin, um dos principais negociadores da questão com os EUA, afirmou na sexta-feira que as novas condições seriam benéficas para o Brasil. Setores que enfrentavam tarifas de 40% - como máquinas e equipamentos, motores, armas, têxteis e calçados - terão redução significativa com a nova alíquota de 10%.
A visita à Índia também resultou na assinatura de um acordo de cooperação para minerais críticos entre os dois países, fortalecendo as relações comerciais em um momento de tensões globais.