Tarcísio nega pressões de Bolsonaro e promete apoio intenso a Flávio
Tarcísio nega pressão de Bolsonaro e apoia Flávio

Em seu primeiro evento público após a mais recente crise envolvendo o clã Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez declarações contundentes nesta sexta-feira (23). Durante uma cerimônia de entrega de casas populares em Embu das Artes, na Grande São Paulo, ele prometeu intensificar o apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e negou veementemente ter recebido qualquer tipo de pressão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Negativas e afirmações de apoio

Tarcísio foi enfático ao desmentir rumores de pressões políticas: "O ex-presidente nunca me pressionou. Nunca. Por nada. Nosso relacionamento sempre foi um relacionamento de amigo. Ele nunca me pediu nada, a única coisa que ele me pediu foi para ser candidato ao Governo do Estado de São Paulo", afirmou o governador, em tom firme e direto.

Ele complementou, destacando seu compromisso com a campanha de Flávio Bolsonaro: "Não tem nada de pressão. Até porque, agora, a gente vai trabalhar muito em prol, aí, do Flávio Bolsonaro. Não vai ter problema nenhum quanto a isso".

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Contexto da crise e cancelamento de visita

A declaração ocorre em um momento de tensão política. Tarcísio havia marcado uma visita a Jair Bolsonaro na Papudinha, mas posteriormente cancelou o encontro. Esse cancelamento gerou críticas de aliados bolsonaristas, que questionam a falta de apoio do governador à candidatura de Flávio e até acusam Tarcísio de articular uma candidatura própria à Presidência da República, algo que ele nega categoricamente.

Sobre o cancelamento, Tarcísio apresentou uma versão que difere dos relatos de aliados, que citam seu incômodo com pressões de Flávio. Ele explicou: "O cancelamento é questão de agenda, não tem nada a ver. Quando você marca uma visita, o tribunal atribui uma data e pode acontecer de, naquela data, não ser possível por uma razão qualquer. Eu tinha uma razão pessoal, não podia ir naquela data, imedentamente pedi outra data para o Supremo, que já foi autorizada".

A visita havia sido autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, na última segunda-feira (19), a pedido da defesa de Bolsonaro, após solicitação repassada pela ex-primeira-dama Michelle. No entanto, na terça-feira (20), após Flávio Bolsonaro comentar que a visita serviria para "enquadrar" Tarcísio, o governador decidiu cancelar a agenda, citando outros compromissos.

Especulações e respostas evasivas

Curiosamente, a agenda pública divulgada por Tarcísio para a quinta-feira (22) contava apenas com despachos internos no Palácio dos Bandeirantes, levantando dúvidas sobre os reais motivos do cancelamento. Fontes próximas ao processo relataram que, se necessário, a defesa poderia ter trocado as datas das visitas já autorizadas, uma vez que Bolsonaro também havia pedido para ver outros dois aliados.

Durante a coletiva de imprensa, Tarcísio foi questionado três vezes sobre o que fez na quinta-feira e quais compromissos o mantiveram em São Paulo, mas preferiu não responder diretamente, mantendo um silêncio estratégico.

Refutação de candidatura própria

O governador também tratou como "especulação" os relatos de que estaria trabalhando para construir uma candidatura presidencial própria. "Sempre falei que meu candidato é o Bolsonaro ou quem ele indicar. Ele indicou o Flávio. Então, quem é meu candidato agora? É o Flávio. Então, não é nada diferente do que eu falo desde 2023", afirmou Tarcísio, tentando acalmar os ânimos dentro da base aliada.

Ele ainda brincou com a situação, dizendo: "Agora, tem muita especulação e isso é normal porque o pessoal sempre vê o governador de São Paulo como uma figura presidenciável. Não vou apresentar uma carta de renúncia [em abril]". Questionado sobre o nível de apoio a Flávio, Tarcísio respondeu de forma retórica: "Mais enfático do que isso?".

Cerimônia e acompanhantes

O evento em Embu das Artes, onde Tarcísio fez essas declarações, foi uma cerimônia de entrega de unidades habitacionais. Entre os políticos presentes, destacava-se o ex-prefeito Ney Santos (Republicanos), que foi condenado a três anos de prisão em regime semiaberto em novembro do ano passado por porte ilegal de arma, adicionando um elemento polêmico ao cenário.

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Essas declarações de Tarcísio de Freitas marcam um momento crucial na política brasileira, com o governador tentando equilibrar lealdades partidárias, pressões internas e suas próprias ambições, tudo isso em meio a especulações sobre o futuro das eleições presidenciais e o papel da família Bolsonaro no cenário nacional.