Estudo de tratamento de esgoto de Hortolândia gera reclamações por mau cheiro há anos
A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Hortolândia, no interior de São Paulo, continua sendo alvo de reclamações recorrentes de moradores devido ao mau cheiro persistente que afeta a região da Vila Real. O problema, que se arrasta por anos, tem origem no modelo de lagoas abertas utilizado na unidade, construída quando a área ainda possuía características rurais.
Sabesp anuncia solução definitiva para 2027
Em reunião com a comunidade realizada nesta sexta-feira (23), a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou que a construção de uma nova estação de tratamento enclausurada, ou seja, totalmente fechada, deve ser concluída em aproximadamente dois anos. Segundo o diretor da Sabesp, Valdemir Viana de Freitas, essa será a solução definitiva para eliminar a dispersão de odores.
"Ela é uma estação de lagoas, feita numa situação onde o município naquela área era rural, então era possível fazer lagoas. Nas condições que tínhamos de corrigir o processo de tratamento, a limpeza das lagoas, a colocação de novos equipamentos, elas foram realizadas nesses últimos dez meses. Com isso houve uma melhoria contínua da questão dos odores", explicou o diretor durante o encontro.
Moradores relatam impactos no cotidiano
Enquanto a nova estrutura não fica pronta, os residentes da região continuam enfrentando as consequências do problema. Valquíria Viana Nunes, uma das moradoras, descreve a situação com frustração: "É engraçado que tem dia que não tem e tem dia que tem. Hoje, por exemplo, no dia em que está o odor, eu tenho que ficar trancada dentro de casa".
Rodrigo Laneri complementa, destacando os prejuízos à qualidade de vida: "Quando isso acontece meia-noite, uma hora da manhã, você passa a não dormir mais, fica irritado para trabalhar, para você ter a sua rotina diária. É muito difícil você passar noites em claro por causa do cheiro".
Investimentos em medidas paliativas e fiscalização
A Sabesp afirma ter investido cerca de R$ 28 milhões em ações para mitigar o mau cheiro na estação atual. Entre as medidas implementadas estão:
- Instalação de sistema de monitoramento e nebulização
- Remoção de lodo das lagoas
- Troca dos equipamentos de aeração
- Implantação de cortina vegetal
- Fechamento de equipamentos próximos a imóveis
No entanto, o diretor reconhece que, devido a fatores climáticos como temperaturas muito altas ou inversão térmica, o odor pode eventualmente voltar a ser percebido pela população. "Tudo que foi relatado, o trabalho técnico para eliminar essas condições foi feito. Não dá para garantir que não haverá mais o odor, mas dá para garantir que ele será cada vez menos frequente", afirmou Valdemir.
Fiscalização e laudo apontam negligência
Um laudo da Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), divulgado em agosto de 2025, apontou negligência da Sabesp na gestão da estação. Enquanto isso, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) tem acompanhado de perto a situação.
Em nota, a Cetesb informou: "Quanto à ETE Hortolândia, foram realizadas cinco inspeções nos últimos 30 dias. A Cetesb monitora o cronograma de melhorias apresentado pela Sabesp, com ações previstas até abril de 2026. Na próxima semana, especialistas da Companhia farão nova inspeção para avaliar outras medidas que possam reduzir a emissão de odores".
A Prefeitura de Hortolândia também se manifestou, afirmando que reforça o monitoramento e a fiscalização desde o segundo semestre de 2025, com vistorias mensais para buscar soluções para a emissão de odores.
Atualmente, a Sabesp está na fase de obtenção de licenças para a nova estação enclausurada, que funcionará como um galpão fechado, impedindo a dispersão do mau cheiro. A expectativa é que, até 2027, os moradores da Vila Real e arredores finalmente tenham alívio de um problema que há anos compromete seu bem-estar e qualidade de vida.