PT resgata discurso vitorioso de 2022 para definir estratégia eleitoral de 2026
O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou uma resolução política que estabelece as diretrizes para a campanha eleitoral de 2026, resgatando explicitamente o discurso que garantiu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022. O documento, divulgado nesta quinta-feira, classifica o próximo pleito como "decisivo para o futuro da democracia brasileira" e convoca a militância para ocupar as ruas em defesa do que denomina "projeto democrático, popular e soberano".
Disputa enquadrada como embate entre democracia e autoritarismo
Na resolução, o PT enquadra a eleição presidencial de 2026 não apenas como uma competição entre candidatos, mas como um confronto entre projetos antagônicos para o país. De um lado, o partido posiciona o que chama de projeto democrático liderado por Lula, que teria recolocado o povo no centro das decisões estatais. Do outro, define um projeto autoritário, excludente e subordinado aos interesses do que classifica como "capital rentista e da extrema direita global", representado pelo bolsonarismo.
O texto afirma: "2026 é um ano decisivo para o futuro da democracia brasileira e para a continuidade do projeto de desenvolvimento e transformação nacional liderado pelo presidente Lula. A disputa eleitoral que se aproxima não será apenas entre candidaturas, mas entre projetos antagônicos".
Críticas à gestão atual e defesa dos feitos do governo
A resolução do PT detalha uma série de conquistas que atribui ao governo Lula, incluindo a saída do Brasil do mapa da fome, crescimento econômico acima de 3%, redução do desemprego para a menor taxa da série histórica, aumento real do salário mínimo e controle da inflação. O partido também destaca medidas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e maior progressividade tributária.
Paralelamente, o documento critica a gestão atual, mencionando escândalos financeiros como o do Banco Master, que teriam exposto o que classifica como "corrupção e promiscuidade entre parte do mercado e o crime organizado". O PT também ataca o que chama de política expansionista de gastos que teria pressionado a inflação e elevado os juros.
Estratégia de mobilização e calendário de lutas
O partido orienta seus diretórios municipais, estaduais, núcleos de base e toda a militância a construir um calendário nacional de mobilizações que articule a defesa do governo Lula, o enfrentamento à extrema direita e a disputa contra o que denomina projeto rentista-autoritário. Entre as datas destacadas estão o 8 de Março, o aniversário do PT em 10 de fevereiro e o 1º de Maio.
A resolução também estabelece agendas específicas, incluindo:
- Enfrentamento à violência contra as mulheres
- Defesa da democracia
- Redução da jornada de trabalho
- Combate à escala 6×1
- Ampliação de direitos para trabalhadores por aplicativo
- Implementação da tarifa zero como política de justiça social
- Plano de desenvolvimento tecnológico para criar empregos de maior qualidade
Posicionamento sobre segurança pública e cenário internacional
O PT critica o que classifica como "debate irresponsável sobre segurança pública" promovido pela extrema direita, atacando especificamente o uso do termo "narcoterrorismo", que considera um conceito importado das narrativas do governo de Donald Trump. O partido argumenta que essa abordagem serviria para justificar políticas de exceção, militarização permanente e intervenções que corroem a democracia.
No plano internacional, a resolução condena o que descreve como "ações intervencionistas do governo de Donald Trump", mencionando especificamente uma suposta intervenção militar na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa. O documento reafirma a defesa da autodeterminação dos povos, da soberania das nações e da paz como princípios fundamentais.
Preparação para a batalha eleitoral de 2026
O PT conclui a resolução reafirmando que a reeleição de Lula em 2026 é condição estratégica para consolidar a democracia, derrotar o bolsonarismo e aprofundar as transformações iniciadas no Brasil. O partido convoca suas direções, militantes, filiados, simpatizantes e aliados a ocuparem as ruas, territórios, redes e espaços de organização social, intensificando a formação política e ampliando o diálogo com a população.
O documento finaliza com uma mensagem enfática: "2026 é o ano para reafirmar que o Brasil escolhe a democracia, a justiça social, a soberania nacional e o futuro. E essa escolha passa, necessariamente, pela reeleição do presidente Lula".