Acordo eleitoral: PT se compromete a apoiar Brizola e Kalil em troca de suporte à reeleição de Lula
O cenário político brasileiro para as eleições de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos com a revelação de acordos estratégicos entre partidos da esquerda. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, anunciou publicamente que o Partido dos Trabalhadores (PT) se comprometeu a apoiar as candidaturas de Juliana Brizola ao governo do Rio Grande do Sul e de Alexandre Kalil ao governo de Minas Gerais.
Reunião entre Lupi e Edinho Silva define bases da aliança
O anúncio foi feito após uma reunião entre Carlos Lupi e o presidente nacional do PT, Edinho Silva, realizada na quarta-feira. Segundo Lupi, o encontro serviu para reafirmar a aliança do PDT em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, em contrapartida, receber a confirmação do compromisso petista com as candidaturas estaduais.
"Na reunião com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, reafirmei a aliança do PDT para reeleger o presidente Lula e recebi a confirmação do compromisso petista de apoiar as candidaturas ao governo de Juliana Brizola, no Rio Grande do Sul; de Alexandre Kalil, em Minas Gerais, e de Requião Filho, no Paraná", escreveu Lupi em sua conta no X.
Rio Grande do Sul: cenário complexo para Brizola
A candidatura de Juliana Brizola no Rio Grande do Sul representa o ponto mais estratégico para o PDT, segundo avaliação do próprio Lupi. Neta do ex-governador e fundador do partido Leonel Brizola, ela lidera as pesquisas para o governo estadual, mas enfrenta complicações políticas significativas.
O PDT gaúcho está atualmente na base de apoio ao governo de Eduardo Leite (PSD), enquanto o PT local faz oposição ao atual governo. Essa divergência de posicionamentos cria um entrave natural para a aliança proposta. Além disso, o PSD já anunciou que lançará a candidatura do vice-governador Gabriel Souza, garantindo que também não apoiará Brizola devido justamente à relação com o diretório estadual do PT.
A articulação em curso prevê que Juliana Brizola seja a cabeça de chapa, com Edegar Pretto (PT) como vice, enquanto Paulo Pimenta (PT) e Manuela D'Ávila (PSOL) disputariam vagas ao Senado.
Minas Gerais: tensões em torno de Kalil
Em Minas Gerais, a situação é ainda mais delicada. A aproximação do PT com Alexandre Kalil só ganhou força após a frustração da aposta petista de ter o senador Rodrigo Pacheco (PSD) como cabeça de chapa. A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), principal nome petista no estado atualmente, tem articulado essa aproximação, mas sem resultados concretos até o momento.
Kalil, que garante sua pré-candidatura, tem mantido uma postura de equidistância política. Em entrevista recente, reforçou seu bom trânsito com partidos de esquerda e direita, não declarou apoio a Lula e mencionou a possibilidade de apoiar Tarcísio de Freitas em oposição ao petista. O ex-prefeito de Belo Horizonte afirmou que vai esperar o máximo possível para divulgar seu palanque estadual.
Reação de Kalil expõe atritos na costura política
Após a publicação de Lupi no X, Alexandre Kalil reagiu de forma contundente, demonstrando descontentamento com a costura da aliança sem sua participação direta. "Eleição é um saco, no meu palanque só sobe quem eu quiser", escreveu o ex-prefeito em sua rede social, deixando claro que não apreciou a forma como o acordo foi anunciado publicamente.
Essa reação imediata de Kalil evidencia as tensões e resistências que permeiam as articulações políticas para 2026, mesmo quando partidos tentam estabelecer acordos formais em nível nacional.
Paraná: apoio já estava acertado
O apoio do PT à candidatura de Requião Filho no Paraná, também mencionado por Lupi, já estava previamente acertado entre as partes, diferentemente dos casos do Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que representam novidades no tabuleiro eleitoral.
As articulações continuam em andamento, com a promessa de formalização interna no PT nos próximos dias, mas os episódios recentes demonstram que o caminho até as alianças consolidadas será marcado por negociações complexas e possíveis atritos entre as partes envolvidas.



