Uma nova pesquisa Real Time Big Data divulgada em Mato Grosso do Sul reforçou uma tendência que se consolida na corrida presidencial de 2026: a divisão regional do eleitorado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O tema foi analisado no programa Ponto de Vista, com participação do cientista político Cristiano Noronha.
Vantagem de Flávio no estado
O levantamento mostrou ampla vantagem de Flávio no estado. No primeiro turno, o senador aparece com 43% das intenções de voto, enquanto Lula oscila entre 29% e 30%. Em um eventual segundo turno, Flávio marca 51% contra 34% do presidente. A pesquisa reforça o padrão observado em estados ligados ao agronegócio e ao eleitorado conservador, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sul.
Por que Flávio lidera com folga em Mato Grosso do Sul?
Durante o programa, Veruska Donato destacou que Mato Grosso do Sul já havia rendido votação expressiva ao ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022 e questionou se estados ligados ao agronegócio tendem naturalmente a apoiar candidatos da direita. Cristiano Noronha respondeu afirmativamente. “É um eleitorado onde a agenda defendida pela oposição está mais alinhada com a agenda do agro”, afirmou.
Segundo o cientista político, setores do agronegócio mantêm críticas frequentes ao governo Lula, especialmente em relação à interlocução política, à pauta ambiental e à relação do governo com movimentos sociais. “O agro entende que não é ouvido de forma adequada”, disse.
Influência de temas fundiários
Noronha citou como exemplo as disputas recentes envolvendo demarcação de terras indígenas e decisões debatidas no STF. Segundo ele, parte do setor agropecuário vê o governo como mais próximo de movimentos sociais ligados à reforma agrária e à pauta indígena. “O governo acaba dando preferência muito mais a entidades contrárias ao agro, como é o caso do MST”, afirmou. Na avaliação do analista, isso ajuda a consolidar uma aproximação política entre o agronegócio e candidatos de centro-direita ou direita.
Repetição da divisão regional de 2022?
Para o especialista, o mapa eleitoral de 2026 reproduz de maneira muito semelhante a divisão regional observada entre Lula e Jair Bolsonaro na eleição de 2022. Sul e Centro-Oeste seguem mais alinhados à direita, enquanto Norte e Nordeste continuam sendo áreas de maior força eleitoral do petista. O cientista político destacou que a transferência do eleitorado bolsonarista para Flávio aparece com força justamente nessas regiões mais conservadoras.
Sudeste e Nordeste continuam decisivos
Noronha afirmou que Lula e Flávio já trabalham para reduzir suas fragilidades regionais. Lula tem buscado ampliar alianças estratégicas em estados do Sudeste e Sul, enquanto Flávio tenta fortalecer pontes no Nordeste. Durante a análise, Noronha também afirmou que existe nos bastidores a possibilidade de Flávio escolher uma mulher nordestina como vice.
Sinalizações para 2026
A leitura predominante no programa foi de que a polarização nacional segue fortemente regionalizada. Enquanto Lula mantém força entre beneficiários de programas sociais, eleitores do Nordeste e setores mais ligados ao funcionalismo e sindicatos, Flávio avança entre produtores rurais, setores conservadores e eleitores ligados ao agronegócio. O desafio dos dois lados, segundo os analistas, será justamente romper essas fortalezas regionais para ampliar competitividade nacional até outubro.



