O Governo de Minas Gerais decidiu suspender um contrato milionário firmado com a Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Renapsi). A medida foi tomada após a prisão do fundador da entidade, Adair Antônio de Freitas Meira, suspeito de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O caso veio a público por meio de reportagem do jornal "Folha de S.Paulo" e foi confirmado pelo g1.
Detalhes do contrato suspenso
A parceria, avaliada em R$ 237,6 milhões, tinha como objetivo executar o programa "Evolução Jovem", voltado à inserção de estudantes da rede estadual no mercado de trabalho. O Termo de Parceria nº 59/2026 foi assinado em 17 de março de 2026 e previa a contratação de 10 mil jovens em órgãos públicos ao longo de dois anos. O contrato passou por aprovação do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).
Decisão do governo
Após a divulgação das informações, em 8 de maio, o governador Mateus Simões (PSD) determinou a suspensão cautelar imediata e por prazo indeterminado da execução do contrato. A decisão, formalizada em ofício, proíbe qualquer despesa ou repasse de valores até a conclusão de uma auditoria completa. O governo também anunciou que adotará medidas para rescindir o contrato e instaurou uma apuração interna pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) para avaliar todos os detalhes da parceria. Até o momento, nenhum pagamento foi efetuado, incluindo a primeira parcela de R$ 19 milhões, prevista para março.
Ligação de Adair Meira com a Renapsi
Adair Antônio de Freitas Meira é apontado como fundador da Renapsi, sendo identificado dessa forma em canais oficiais da entidade. Atualmente, a Renapsi afirma que ele não ocupa nenhum cargo de gestão ou administração. No entanto, segundo a "Folha de S.Paulo", a Polícia Civil de São Paulo o considera o "real dono" da organização.
Motivos da prisão
Meira foi preso temporariamente em 29 de abril de 2026, durante a Operação Contaminatio, da Polícia Civil de São Paulo. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro que utilizaria uma fintech chamada 4TBank, apontada como ligada a um integrante do PCC. Segundo as investigações, Adair Meira teria movimentado recursos por meio de entidades ligadas a ele, entre elas a Renapsi, usada para pagar boletos e realizar transferências para a fintech.
Próximos passos
O governo mineiro informou que a suspensão do contrato visa proteger a moralidade administrativa e o patrimônio público. A auditoria da CGE deverá garantir a legalidade da parceria e apurar possíveis irregularidades. O contrato permanece suspenso por tempo indeterminado, aguardando a conclusão das investigações.



