O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou, nesta quinta-feira (19), um apelo direto aos governadores estaduais para que reduzam o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre os combustíveis. Em discurso durante a abertura da 17ª Caravana Federativa em São Paulo, Lula abordou os impactos internos da guerra no Oriente Médio, criticando duramente os aumentos nos preços do álcool e da gasolina e alertando sobre indivíduos que, em sua visão, se aproveitam da situação para obter ganhos indevidos.
Proposta federal de compensação
Em suas declarações, o presidente afirmou: "Vamos fazer todo o esforço e também pedir para os governadores para fazerem a isenção do ICMS, poderia fazer para não permitir aumento". Ele prosseguiu, destacando uma proposta de compensação: "E o governo federal se dispõe a devolver para o estado metade da isenção dada. Temos que evitar que essa guerra chegue ao prato do povo". Essa fala sublinha a preocupação do governo em mitigar os efeitos econômicos do conflito internacional sobre a população brasileira, especialmente no que tange ao custo de vida.
Autonomia estadual e negociações em curso
Como o ICMS é um imposto de competência estadual, cada unidade federativa possui autonomia para decidir sobre suas políticas tributárias, o que significa que não há obrigatoriedade legal para os governadores aceitarem a redução solicitada. Anteriormente, Lula já havia feito um pedido público informal aos governadores, que foi rejeitado. Em resposta, uma equipe do Ministério da Fazenda se reuniu com representantes dos estados para discutir a questão.
Na ocasião, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, explicou que o governo federal propôs aos estados zerar o ICMS sobre a importação do diesel até o final de maio, com a União comprometendo-se a compensar metade das perdas arrecadatórias estaduais. Em contrapartida, os estados solicitaram mais tempo para analisar a proposta. Durigan informou que uma decisão final está prevista para o dia 28 de março, quando ocorrerá uma reunião presencial em São Paulo dedicada ao tema.
Contexto e próximos passos
A declaração de Lula ocorre em um momento de tensão econômica, onde os preços dos combustíveis têm sido pressionados por fatores externos, como a guerra no Oriente Médio. A iniciativa busca aliviar o bolso dos consumidores e estabilizar o mercado interno, mas depende da adesão voluntária dos governadores, que avaliam os impactos fiscais em seus orçamentos. A reunião marcada para o final de março será crucial para definir os rumos dessa negociação, podendo resultar em medidas concretas ou em um impasse prolongado.
Enquanto isso, a população aguarda ansiosa por soluções que possam frear a escalada de preços, com o governo federal enfatizando a necessidade de cooperação entre esferas para proteger a economia doméstica. A situação continua em atualização, com expectativas de novos desdobramentos nas próximas semanas.



