Lula injeta bilhões na economia em ano eleitoral com programas sociais e isenção de IR
Lula injeta bilhões na economia em ano eleitoral

Bilhões em estímulos econômicos em ano de disputa presidencial

Com uma eleição presidencial altamente disputada no horizonte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) implementou uma série de medidas robustas destinadas a aumentar o poder de compra da população, aquecer a economia e mitigar os efeitos da alta nos preços dos combustíveis, agravada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã. No entanto, economistas alertam que essas ações podem exercer pressão adicional sobre a inflação e complicar os esforços do Banco Central para reduzir as taxas de juros.

Alívio direto no bolso dos brasileiros

Parte significativa das medidas proporciona um alívio imediato às finanças dos cidadãos. A ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a redução da alíquota para rendas de até R$ 7.350, vigentes desde janeiro, devem resultar em uma renúncia fiscal estimada entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões, conforme projeções de instituições financeiras como BTG Pactual e ARX Investimentos. Cerca de 15 milhões de pessoas são beneficiadas por essa mudança.

Paralelamente, os programas Gás do Povo e Luz do Povo, que ampliaram políticas pré-existentes de acesso a botijões de gás e descontos na conta de energia, devem injetar R$ 15,5 bilhões nas famílias de baixa renda em 2026, um aumento de R$ 3,6 bilhões em relação ao ano anterior. O Gás do Povo, por exemplo, expandiu seu alcance de 4,5 milhões para 15 milhões de famílias, oferecendo de 4 a 6 recargas anuais de botijão, com valor médio nacional em R$ 110. Já o Luz do Povo deve beneficiar 20,9 milhões de residências, garantindo gratuidade ou descontos significativos na conta de luz.

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Expansão do crédito e estímulos habitacionais

Além do alívio direto, o governo adotou medidas para facilitar o acesso a crédito barato. O Crédito do Trabalhador, linha de empréstimo consignado criada em março de 2025, permite que trabalhadores formais usem até 10% do saldo do FGTS como garantia, reduzindo juros. Até março de 2026, já foram concedidos R$ 26 bilhões em novos empréstimos, com projeção total de R$ 134 bilhões para o ano.

O programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), com aprovação popular de 90%, também recebeu impulso significativo. Com orçamento recorde de R$ 180 bilhões em 2025, o programa expandiu as faixas de renda atendidas e aumentou o valor máximo dos imóveis financiados, elevando o limite de renda para R$ 13 mil e o valor do imóvel para R$ 600 mil. Desde 2023, mais de 1,9 milhão de unidades foram contratadas, com meta de atingir 3 milhões até o final de 2026.

Pressão sobre inflação e dívida pública

O outro lado dessa política expansionista é o aumento da pressão inflacionária e sobre os juros. A taxa Selic, que subiu para 15% ao ano em junho de 2025, permanece em patamar elevado, dificultando a redução de despesas e o controle da dívida pública, que cresceu de 71,7% para 78,7% do PIB desde dezembro de 2022. Economistas como Samuel Pessoal, do BTG Pactual, alertam que o estímulo ao consumo em uma economia próxima do pleno emprego pode gerar inflação e exigir juros mais altos, exacerbando o endividamento.

A guerra entre Estados Unidos e Irã também contribui para a pressão inflacionária, com o barril de petróleo atingindo US$ 119 em março, o maior valor desde 2022. O governo respondeu com medidas para conter o preço do diesel, a um custo de R$ 30 bilhões, financiado por um novo imposto sobre exportação de petróleo.

Impacto eleitoral incerto em meio à polarização

As políticas sociais e econômicas do governo Lula podem não se traduzir automaticamente em vitória nas urnas, segundo analistas. A polarização política entre lulismo e bolsonarismo reduziu o peso da economia nas decisões eleitorais, como visto na derrota de Jair Bolsonaro em 2022, apesar de um pacote de medidas de R$ 41 bilhões lançado antes da eleição.

Pesquisas indicam que Lula e Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, estão empatados em um eventual segundo turno, com 41% de intenção de voto cada. A vantagem de Lula entre eleitores de baixa renda é contrabalanceada pela liderança de Flávio Bolsonaro na classe média e alta, grupos que, paradoxalmente, são beneficiados por medidas como a isenção do IR.

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O governo defende suas ações como necessárias para melhorar a vida dos trabalhadores e reduzir desigualdades, compensando perdas fiscais com aumento de impostos para os mais ricos. No entanto, programas como o Bolsa Família não tiveram reajustes, e promessas como a universalização do Pé de Meia enfrentam restrições orçamentárias.

Em resumo, enquanto os estímulos econômicos de Lula buscam aquecer a economia e garantir apoio eleitoral, eles trazem riscos significativos de inflação e endividamento, em um cenário marcado por alta polarização e incertezas sobre seu impacto nas urnas.