Lula critica Trump por ataques ao Irã e alta do petróleo, alerta para greve de caminhoneiros
Lula critica Trump por ataques ao Irã e alta do petróleo

Presidente brasileiro responsabiliza ex-líder americano por disparada nos preços dos combustíveis

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) direcionou duras críticas nesta quarta-feira (18) ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuindo-lhe responsabilidade pelos recentes ataques ao Irã e pela consequente alta vertiginosa no preço do petróleo em escala global. As declarações foram proferidas durante a cerimônia de entrega do prêmio Mulheres das Águas, uma condecoração destinada a trabalhadoras da pesca em todo o território nacional.

Fechamento do Estreito de Hormuz e impacto direto nos combustíveis

O estreito de Hormuz, reconhecido como uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, foi fechado devido ao conflito internacional, gerando um efeito dominó nos mercados. Lula destacou que a medida tomada por Trump de liberar a compra de petróleo da Rússia, com o objetivo declarado de conter a inflação decorrente da guerra, acabou por agravar a situação. "Vocês estão vendo o que está acontecendo no óleo diesel nesse país. Vocês já se deram conta que os tiros que o Trump deu no Irã estão fazendo o óleo diesel aumentar no mundo inteiro", afirmou o mandatário brasileiro.

O presidente ressaltou que o preço do barril de petróleo saltou de aproximadamente US$ 65 para US$ 120, uma variação drástica que pressiona as economias de diversos países. No Brasil, a commodity registrou alta de 5,85% nesta quarta-feira, sendo cotada a US$ 109,47. Esta foi a primeira vez que Washington suspendeu sanções contra a Rússia desde o início da Guerra da Ucrânia, em fevereiro de 2022, quando as tropas de Moscou invadiram o país vizinho. Vale lembrar que desde março de 2022, os Estados Unidos haviam proibido a compra de petróleo russo por empresas americanas.

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Medida emergencial do governo brasileiro e críticas à especulação

Em resposta à escalada dos preços, o governo Lula anunciou a suspensão dos impostos de PIS/Cofins sobre os combustíveis, uma estratégia para mitigar os impactos na economia doméstica. "Aqui no Brasil nós tomamos uma decisão de isentar PIS/Cofins", explicou o presidente, que também questionou o aumento de outros derivados. "Por que que o álcool aumentou se o álcool não é feito de petróleo? Por que a gasolina aumentou se somos autossuficientes? É porque está cheio de gente no nosso meio que gosta de tirar proveito da desgraça", criticou, sugerindo práticas de especulação.

Ameaça de greve dos caminhoneiros e posicionamento do governo

A alta do óleo diesel tem gerado insatisfação entre os caminhoneiros brasileiros, que articulam uma paralisação nacional para pressionar o governo. Caminhoneiros de diferentes regiões do país planejam a mobilização, o que preocupa governistas devido ao forte impacto que uma greve no transporte rodoviário pode causar na economia. Em contrapartida, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo se antecipou à alta dos combustíveis e que não há motivo para a greve, buscando acalmar os ânimos do setor.

Críticas ao Conselho de Segurança da ONU e ao cenário global

Em seu discurso, Lula também abordou o que chamou de crescimento da "incivilidade" no mundo, estendendo suas críticas aos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). "São os cinco países que produzem mais armas, os cinco que têm armas nucleares, bomba atômica, são os que mais têm poder bélico, que deveriam estar zelando pela paz porque são membros do Conselho de Segurança. Eles decidiram que são donos do mundo", declarou, referindo-se a China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos.

O presidente brasileiro argumentou que os demais países estão sofrendo as consequências da guerra devido à irresponsabilidade desse grupo, enfatizando a necessidade de uma governança global mais equilibrada. As declarações de Lula refletem uma postura crítica frente às dinâmicas de poder internacional e aos efeitos colaterais de conflitos geopolíticos na economia mundial, especialmente no que tange à volatilidade dos preços dos combustíveis e suas repercussões sociais no Brasil.

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