Presidente Lula atribui alta dos combustíveis a especuladores e conflitos internacionais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou duras críticas nesta quarta-feira (18) sobre o aumento nos preços dos combustíveis no Brasil, atribuindo a situação a especuladores que estariam se aproveitando de conflitos internacionais. Durante cerimônia de entrega do Prêmio Mulheres das Águas, promovido pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, o mandatário afirmou que o país está "cheio de gente que gosta de tirar proveito da desgraça".
Conflitos internacionais e impacto nos preços
Lula relacionou diretamente a disparada dos valores ao cenário geopolítico global, mencionando especificamente as tensões entre Estados Unidos e Irã. "Os tiros que o [Donald] Trump deu no Irã estão fazendo aumentar no mundo inteiro", declarou o presidente, destacando que o preço do barril de petróleo saltou de R$ 65 para R$ 120.
O mandatário questionou a lógica por trás dos aumentos no contexto brasileiro: "Por que o álcool aumentou? Por que a gasolina aumentou se somos autossuficientes?" Segundo sua análise, a resposta estaria na especulação que se alimenta dos conflitos internacionais.
Benefícios para a Rússia e críticas ao Conselho de Segurança
Em suas declarações, Lula apontou que a Rússia tem sido beneficiada indiretamente pelos conflitos no Oriente Médio. "Sabem quem está ganhando? A Rússia que estava bloqueada", afirmou, referindo-se às sanções comerciais impostas pela Europa e Estados Unidos desde o início da guerra na Ucrânia.
O presidente também criticou a estrutura do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, composto por Estados Unidos, China, França, Reino Unido e Rússia. Segundo Lula, esses países "decidiram que são donos do mundo e resolveram atacar o que quiserem", financiando guerras em vez de buscarem soluções diplomáticas.
"O prejuízo está vitimizando quem? Os trabalhadores e os mais pobres, porque toda desgraça causada pelos ricos arrebenta nas costas de quem não tem nada a ver com isso", completou o presidente, defendendo uma reformulação do órgão para torná-lo mais representativo do mundo atual.
Medidas governamentais e desafios fiscais
Apesar das medidas anunciadas pelo governo federal na semana passada, que zeraram PIS e Cofins sobre o diesel, a administração reconhece que o efeito prático pode ser limitado sem a colaboração dos estados. Governadores resistem à redução do ICMS sobre combustíveis, alegando perdas fiscais acumuladas.
Nesta quarta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que se reunirá com representantes estaduais para solicitar novamente a diminuição da carga tributária. Interlocutores da área econômica avaliam que, sem essa colaboração, o preço final do diesel permanecerá elevado, alimentando a insatisfação entre caminhoneiros e aumentando o risco de paralisações.
Ações legais contra aumentos abusivos
Paralelamente, o governo avalia pedir indenização por danos morais e materiais coletivos contra distribuidoras e postos de combustíveis. A Advocacia-Geral da União (AGU) lidera a movimentação, com o argumento de que têm ocorrido aumentos abusivos sem justificativa de mercado.
Outra frente de ação busca garantir o pagamento de um preço mínimo de frete para caminhoneiros, especialmente neste momento de alta nos custos dos combustíveis. A medida visa amenizar o impacto da disparada do petróleo, intensificada pelas tensões entre Estados Unidos e Irã.
As declarações do presidente ocorrem em um contexto de preocupação com a inflação e o custo de vida, com os combustíveis representando um componente significativo das despesas familiares e dos custos logísticos no país.



