Guerra internacional pressiona economia e desafia reeleição de Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um cenário complexo em sua campanha de reeleição, com a rejeição eleitoral mantendo-se em patamares elevados próximos aos 40%. A situação se assemelha à vivida por Jair Bolsonaro em março de 2022, quando o governo não estava preparado para os impactos econômicos de um conflito internacional.
Impactos diretos no bolso dos brasileiros
A guerra atual contra o regime iraniano, previsível desde meados do ano passado, trouxe consequências econômicas imediatas. O preço do petróleo subiu aproximadamente 60% nas últimas quatro semanas, com efeitos diretos nos combustíveis e alimentos. Pesquisas como a divulgada pela Quaest mostram que 53% dos eleitores reclamam que sua renda pessoal e familiar não acompanha a alta dos preços.
Lula destacou recentemente: "No bolso do motorista, no bolso do caminhoneiro; e, não chegando ao bolso do caminhoneiro, não vai chegar ao prato de feijão, à salada do alface, da cebola e à comida que o povo mais come."
Medidas emergenciais e reação do mercado
Sem um plano coerente e consistente com o caixa do governo para mitigar os efeitos da alta de preços, a administração federal enfrenta dificuldades. Entre segunda e terça-feira (17 de março), o Tesouro Nacional gastou cerca de 43 bilhões de reais na recompra de títulos públicos, um resgate em volume sem precedentes que tentou conter apostas numa escalada de juros.
A perspectiva é de alta adicional nos preços do diesel, insumo que representa quase 40% dos custos do frete rodoviário numa economia absolutamente dependente dos comboios de caminhões. O aumento já se materializa na especulação em parte dos 60 mil postos de abastecimento do país.
Riscos de crise no transporte e paralelos históricos
As circunstâncias atuais adicionam complicadores significativos à campanha. Um deles é a expectativa de mais inflação de alimentos, enquanto outro é a possibilidade de confusão no sistema nacional de transporte de cargas com mobilizações de empregados e empresários donos de frotas de caminhões.
O cenário lembra o bloqueio das estradas durante o ano eleitoral de 2018, quando Michel Temer era presidente. Coincidentemente, Marcio França, que governava São Paulo na época da crise e hoje é ministro do Empreendedorismo, tornou-se o primeiro governador paulista derrotado numa tentativa de reeleição após o tumulto rodoviário.
Conjuntura política e econômica
A percepção das incertezas sobre escolhas do governo num calendário eleitoral demarcado pelos efeitos da guerra já provocou um terremoto no mercado financeiro. O recém-anunciado corte de impostos federais deve influir no balanço financeiro da Petrobras e de outras empresas importadoras de combustíveis, mas especialistas alertam que não deve impedir totalmente os efeitos corrosivos da guerra no bolso dos eleitores.
As pesquisas dos últimos doze meses contam uma história de rejeição eleitoral recorde, imobilizada na faixa dos 40% e só comparável à do adversário Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, reconhecido como candidato da extrema direita. O governo parece despreparado para o impacto corrosivo no bolso dos eleitores de uma guerra que era previsível desde meados do ano passado.
