Governo Federal propõe zerar ICMS sobre diesel importado para conter alta de preços
Governo propõe zerar ICMS sobre diesel para conter alta de preços

Governo Federal propõe zerar ICMS sobre diesel importado para conter alta de preços

Em uma iniciativa para enfrentar a escalada dos preços dos combustíveis, a União apresentou uma proposta aos estados e ao Distrito Federal para zerar temporariamente o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a importação de diesel. A medida foi detalhada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, durante reunião virtual do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), realizada nesta quarta-feira (18).

Compensação financeira e impacto fiscal

Como contrapartida, o governo federal se comprometeu a compensar 50% da perda de arrecadação que os estados sofreriam com a isenção. Segundo cálculos da equipe econômica, a zeragem do imposto pode representar uma renúncia de aproximadamente R$ 3 bilhões por mês para os cofres estaduais. Desse montante, R$ 1,5 bilhão seria coberto pela União, totalizando um impacto fiscal que pode alcançar R$ 6 bilhões até o fim do período proposto, com metade arcada pelo governo central.

A proposta tem caráter temporário, com validade estabelecida até 31 de maio, visando oferecer um alívio imediato sem comprometer as finanças públicas a longo prazo. Durigan enfatizou a importância do diálogo federativo, afirmando que a medida só será implementada se houver concordância dos estados, evitando imposições como ocorreu em 2022.

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Contexto internacional e pressão sobre o abastecimento

A iniciativa surge em um momento de disparada dos preços do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Esse cenário tem pressionado os custos do diesel no Brasil, que depende de importações para suprir cerca de 30% do consumo interno.

Segundo Durigan, o preço do diesel importado tem se descolado do valor praticado no mercado doméstico, o que pode comprometer o abastecimento e gerar riscos de desabastecimento. A situação ganha urgência diante da possibilidade de uma paralisação nacional de caminhoneiros, semelhante à greve de 2018, que poderia impactar a inflação e a economia.

Negociações e próximos passos

A decisão final sobre a proposta depende dos governadores estaduais e será discutida até o próximo dia 27 de maio, quando o Confaz realizará uma reunião presencial em São Paulo. A negociação ocorre após resistência inicial de estados a cortes de ICMS sem compensação financeira, destacando a necessidade de um acordo consensual.

Durigan ressaltou que o governo não pretende impor a medida, mas sim buscar uma solução colaborativa. "A nossa orientação é fazer isso, caso os estados concordem, porque isso é muito importante para garantir o abastecimento", declarou o secretário-executivo, enfatizando o equilíbrio entre responsabilidade fiscal e proteção aos consumidores.

Medidas complementares e fiscalização

A proposta de zerar o ICMS complementa outras ações já anunciadas pelo governo, incluindo:

  • Redução de tributos federais, como o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre o diesel.
  • Subsídios à produção interna de combustíveis.
  • Acordo entre a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e 21 estados para compartilhamento em tempo real de notas fiscais, visando reforçar a fiscalização e coibir abusos de preços.

No entanto, seis estados – Alagoas, Amazonas, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e São Paulo – solicitaram mais tempo para avaliar o acordo com a ANP, indicando que as discussões ainda estão em andamento.

Objetivos e perspectivas futuras

A equipe econômica afirma que as medidas buscam equilibrar responsabilidade fiscal com a necessidade de proteger os consumidores e garantir a oferta de combustível no país. O governo tenta evitar impactos negativos no abastecimento e na inflação, enquanto monitora de perto a evolução dos preços internacionais e a situação geopolítica no Oriente Médio.

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Com a proposta em análise, espera-se que a zeragem temporária do ICMS possa oferecer um alívio significativo aos setores dependentes do diesel, como transporte e logística, contribuindo para a estabilidade econômica em um período de incertezas globais.