Governo Lula propõe ICMS Zero no diesel por dois meses para aliviar preços
Governo propõe ICMS Zero no diesel por dois meses

Governo federal busca alívio tributário para conter alta do diesel

A equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aguarda com expectativa uma decisão técnica do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) sobre a proposta apresentada nesta quarta-feira (18) pelo Ministério da Fazenda. O objetivo é zerar completamente a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel importado durante os meses de abril e maio deste ano.

Custo bilionário e compensação aos estados

A medida, se aprovada, representaria um impacto financeiro significativo: aproximadamente R$ 3 bilhões por mês em renúncia fiscal, divididos entre a União e os governos estaduais. Para amenizar a perda de arrecadação dos entes federativos, o governo federal se comprometeu a cobrir metade do prejuízo que os governadores teriam durante o bimestre em questão.

O Confaz, órgão colegiado presidido pelo ministro da Fazenda e composto pelos secretários estaduais de Fazenda de todas as unidades federativas e do Distrito Federal, tem como função principal:

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  • Facilitar a celebração de convênios interestaduais
  • Promover regras uniformes para tributação
  • Estabelecer isenções e benefícios fiscais relacionados ao ICMS

Cenário internacional pressiona preços no Brasil

A iniciativa surge em um contexto de forte pressão nos preços dos combustíveis, impulsionada pela disparada internacional do petróleo. Nesta quinta-feira (19), o barril do petróleo já atingia a marca de US$ 115, reflexo direto das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Segundo um assessor presidencial, "os estados precisam entender que os consumidores brasileiros esperam um esforço coordenado de todas as autoridades para aliviar os custos provocados por esse cenário internacional complexo". O governo argumenta que a medida beneficiaria diretamente caminhoneiros e consumidores finais, aliviando o bolso da população em um momento econômico delicado.

Resistência política e risco de desabastecimento

A reação inicial de governadores da oposição foi de resistência à proposta, dentro de uma lógica política que enxerga a medida como potencialmente benéfica para Lula no cenário eleitoral. No entanto, a equipe da Fazenda mantém a esperança de que, após reflexão, os gestores estaduais compreendam que a conta da alta dos combustíveis será paga principalmente pelos cidadãos brasileiros, inclusive aqueles que residem em estados governados pela oposição.

Paralelamente, o governo federal intensificou a fiscalização nas distribuidoras de combustível para verificar possíveis retenções de estoque de diesel. Existe um temor concreto de desabastecimento do produto em algumas regiões do país, o que teria efeitos devastadores para a cadeia logística e a economia nacional como um todo.

Os secretários estaduais de Fazenda ficaram de consultar seus respectivos governadores e apresentar uma resposta formal à proposta. O desfecho dessa negociação fiscal poderá definir o rumo dos preços dos combustíveis no Brasil nos próximos meses.

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