GDF nega venda de imóveis no socorro ao BRB, mas projeto permite alienação
GDF nega venda de imóveis no socorro ao BRB, mas projeto permite

Contradição no projeto de socorro ao BRB: governo nega venda de imóveis, mas texto permite alienação

A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou nesta quarta-feira (27) que o projeto enviado à Câmara Legislativa do DF pelo governo para dar suporte ao Banco de Brasília (BRB) não prevê a venda de imóveis públicos. No entanto, uma análise detalhada do texto em tramitação revela que o projeto prevê expressamente a possibilidade de alienação (venda) dos bens, criando uma contradição entre o discurso oficial e o conteúdo legislativo.

Garantia ou venda? A ambiguidade do projeto

Celina Leão declarou que o objetivo do governo é apenas oferecer garantias para um eventual empréstimo que o governo precise tomar para reforçar o balanço do banco. "O projeto de lei traria um fundo, um arcabouço de R$ 2 bilhões, somente em validação para empréstimo. Porque você não pode pegar empréstimo sem dar um aval ou uma garantia. Isso não seria vendido em nenhum momento", afirmou a vice-governadora.

Entretanto, o texto legislativo em análise na Câmara do DF estabelece claramente duas possibilidades para os imóveis públicos envolvidos:

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  • Uso como garantia para empréstimos de até R$ 6,6 bilhões
  • Alienação (venda) direta dos bens

Essa discrepância tem gerado questionamentos sobre a transparência do processo e os reais objetivos do governo distrital.

BRB: vítima de "fraude nacional" e busca por reforço financeiro

A vice-governadora também fez declarações contundentes sobre a situação do BRB, classificando o banco como vítima de uma "fraude nacional", embora não tenha identificado os responsáveis. Celina Leão afirmou que o GDF atua para preservar a instituição dos impactos financeiros e políticos gerados pelas transações malsucedidas entre o BRB e o Banco Master.

"A gente espera que as pessoas que foram levadas para essa fraude ou tiveram um comprometimento com isso sejam punidas com rigor, porque a instituição foi vítima", disse, mantendo o sigilo sobre possíveis envolvidos.

Plano ambicioso de capitalização do BRB

Paralelamente ao projeto do GDF, o Banco de Brasília prepara uma movimentação financeira de grande porte. O banco pretende emitir até 1,67 bilhão de ações ordinárias nas próximas semanas para captar recursos no mercado e reforçar seu patrimônio.

Os números deste plano são expressivos:

  1. Capital social atual do BRB: R$ 2,34 bilhões
  2. Expectativa de aumento mínimo: R$ 529 milhões
  3. Expectativa de aumento máximo: R$ 8,86 bilhões
  4. Capital social potencial: até R$ 11,2 bilhões (quase 4 vezes o valor atual)

Esta proposta será submetida à Assembleia Geral Extraordinária de acionistas convocada para 16 de março, necessitando da aprovação dos investidores, incluindo o governo do DF que detém 71,92% do capital do banco.

Imóveis públicos em jogo: a lista completa

O projeto do GDF envolve nove imóveis públicos de grande porte que poderiam ser utilizados como garantia ou alienados. A lista inclui:

  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote F – área da Caesb
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lotes G, I, H e C (este pertencente à CEB)
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote B – pertencente à Novacap
  • Centro Metropolitano, Quadra 03, Conjunto A, Lote 01, em Taguatinga – sede abandonada do Centro Administrativo do DF
  • "Gleba A" de 716 hectares, pertencente à Terracap

O empréstimo garantido por esses imóveis poderia ser obtido junto ao Fundo Garantidor de Crédito, conforme plano preventivo entregue ao Banco Central há duas semanas. O objetivo declarado é manter a solidez do BRB e evitar desconfianças no mercado financeiro.

Riscos e benefícios da operação

A garantia do governo do DF permitiria ao BRB captar recursos em condições mais favoráveis, com juros menores, fortalecendo seu balanço patrimonial após as transações problemáticas com o Banco Master. Por outro lado, caso o banco e o governo não consigam honrar o empréstimo no futuro, poderiam ser obrigados a alienar esses imóveis para quitar o compromisso assumido.

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O projeto enfrenta resistência na Câmara Legislativa, tanto da oposição quanto de aliados do governador Ibaneis Rocha (MDB), enquanto o BRB espera aprovação do socorro em até três semanas para estabilizar sua situação financeira.