Ex-secretário do Planalto defende foco em IA, energia e minerais na política externa do Brasil
O cientista político Hussein Kalout, que atuou como secretário de Assuntos Estratégicos durante o governo de Michel Temer, apresentou uma análise contundente sobre os rumos que a política externa brasileira deveria seguir. Em entrevista exclusiva ao EsferaCast, o videocast da Esfera Brasil, o pesquisador atualmente vinculado à Universidade Harvard destacou a necessidade urgente de o país investir em áreas estratégicas como inteligência artificial, setor energético e minerais de alto valor.
Tecnoeconomia como vetor de relações internacionais
Kalout foi enfático ao afirmar que o que gera resultado concreto para o Brasil é focar na tecnoeconomia, priorizando a modernização e o impacto da inteligência artificial nas cadeias produtivas nacionais. Segundo sua visão, mirar no setor energético e nos minerais estratégicos, utilizando esse arcabouço como vetor de política externa, seria a chave para alavancar a posição do país no cenário global.
O ex-secretário do Planalto argumentou que a gestão brasileira precisa adotar uma postura mais assertiva, transformando avanços tecnológicos e recursos naturais em instrumentos de negociação e cooperação internacional. Essa abordagem permitiria ao Brasil não apenas fortalecer sua economia, mas também ampliar sua influência diplomática em fóruns multilaterais e acordos bilaterais.
Redução da desigualdade como prioridade nacional
Em um cenário hipotético no qual assumisse a presidência do país, Hussein Kalout indicou que a redução da desigualdade e a redistribuição de renda seriam suas principais prioridades. O pesquisador avaliou que não há como desenvolver um país da natureza e do formato do Brasil se não reduzir o abismo social, especialmente enquanto a renda permanecer concentrada nas mãos de apenas 1% da população brasileira.
Kalout enfatizou que o combate à desigualdade é fundamental para criar um ambiente propício ao crescimento econômico sustentável e à inovação tecnológica. Sem uma distribuição mais equitativa dos recursos, o país enfrentaria dificuldades para implementar políticas públicas eficazes e garantir a participação de todos os cidadãos no processo de desenvolvimento.
Integração entre política interna e externa
O cientista político defendeu uma integração mais estreita entre as políticas internas e externas do Brasil, sugerindo que os avanços em inteligência artificial, energia e mineração devem ser acompanhados por medidas sociais robustas. Essa sinergia, segundo ele, permitiria ao país apresentar uma imagem mais coesa e competitiva no exterior, atraindo investimentos e parcerias estratégicas.
Kalout concluiu que a modernização da política externa brasileira passa necessariamente pela adoção de uma agenda inovadora, que combine o aproveitamento de recursos naturais com o desenvolvimento tecnológico e a promoção da justiça social. Essa tríade formaria a base para um projeto nacional ambicioso e transformador, capaz de reposicionar o Brasil como um ator relevante no século XXI.