Novas nomeações no Ministério da Fazenda sob o comando de Dario Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, realizou nesta segunda-feira, 23, uma série de importantes nomeações para compor sua equipe na pasta. A principal mudança anunciada foi a de Rogério Ceron, que deixa o cargo de secretário do Tesouro Nacional para assumir a posição de secretário-executivo do ministério.
Declarações do ministro e composição da nova equipe
Em uma publicação em rede social, Durigan expressou sua confiança na capacidade de Ceron, afirmando: "Tenho a alegria de compartilhar novidades na equipe do Ministério da Fazenda. Rogério Ceron será o novo secretário-executivo. Confio na sua capacidade de entrega, e destaco que seu trabalho à frente do Tesouro foi fundamental para avançarmos com nossa agenda nos últimos anos".
Além dessa nomeação central, o ministro também definiu outros cargos-chave:
- Úrsula Peres, professora da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em políticas públicas, assume como secretária-executiva adjunta.
- Daniel Leal será o novo responsável pela secretaria que cuida do Tesouro Nacional.
- Daniele Cardoso passará a conduzir a Secretaria de Prêmios e Apostas.
- Mathias Alencastro ficará à frente da Secretaria de Assuntos Internacionais.
Durigan enfatizou o caráter técnico e unido de sua equipe, declarando: "Ninguém faz nada sozinho. Somos um Ministério sério, unido e técnico. Mulheres e homens comprometidos em fazer a diferença todos os dias, trabalhando pela prosperidade das famílias brasileiras".
Perfil e trajetória do ministro Dario Durigan
Dario Durigan, que foi nomeado ministro da Fazenda na sexta-feira, 20, possui uma trajetória diversificada no serviço público e no setor privado. Desde 2023 no Executivo, ele teve participação ativa em medidas de recomposição de receitas, aumentos de tributos anunciados pelo governo, articulação da reforma tributária sobre o consumo e renegociação da dívida dos estados.
Sua experiência profissional inclui:
- Trabalho como consultor na Advocacia-Geral da União entre 2017 e 2019.
- Atuação no setor privado, como diretor de Políticas Públicas do WhatsApp, de 2020 a 2023, coordenando temas de políticas públicas e comunicação.
- Integração da equipe do ex-prefeito Fernando Haddad em São Paulo durante 2015 e 2016.
Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), Durigan é reconhecido por seu perfil discreto e por seu bom trânsito dentro do governo, sendo visto como um articulador eficaz junto aos setores da economia real.
Desafios econômicos e agenda regulatória para os próximos anos
À frente do Ministério da Fazenda, Dario Durigan enfrentará uma série de desafios significativos, especialmente durante o período da campanha presidencial de 2026, que tende a ser marcado por tensões políticas e disseminação de notícias falsas. Entre os principais temas da pauta econômica estão:
- O fim da jornada 6 por 1 e do Imposto de Renda sobre lucros e resultados dos trabalhadores.
- Possível revisão de benefícios sociais e reforma de encargos sobre a folha de pagamentos.
- Regulamentação e transição da reforma tributária, com implementação prevista do imposto sobre consumo (CBS) em 2027.
Um ponto particularmente polêmico é a discussão sobre o imposto seletivo, conhecido como "imposto do pecado", que será cobrado sobre produtos com externalidade negativa, como bebidas alcoólicas e cigarros. Este debate ocorrerá em ano eleitoral, com potenciais impactos nos preços desses produtos.
Metas fiscais e cenário orçamentário até 2026
Durigan também terá a responsabilidade de conduzir o processo orçamentário até o final de 2026, período no qual o governo tem como meta retomar o superávit em suas contas, considerando os limites do arcabouço fiscal e o abatimento de precatórios.
Para este ano, a meta estabelecida é de um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a aproximadamente R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal, aprovado em 2023, permite uma tolerância de 0,25 ponto percentual, o que significa que a meta será considerada cumprida com resultados entre zero e R$ 68,6 bilhões de superávit.
No entanto, o texto permite que o governo exclua R$ 57,8 bilhões em despesas do cálculo, recursos que podem ser destinados ao pagamento de precatórios. Na prática, as projeções indicam um rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026, o que resultaria em contas negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo que o cálculo oficial apresente um resultado positivo.



