Corrida por delação no caso Banco Master esquenta com PF exigindo provas inéditas
Delatores do Banco Master disputam espaço com PF

A investigação do escândalo do Banco Master gerou uma nova disputa nos bastidores da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República: a corrida entre investigados para fechar acordos de delação premiada antes que as possibilidades de negociação se esgotem.

Disputa por informações inéditas

No programa Ponto de Vista, o editor de Política José Benedito da Silva afirmou que tanto o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, quanto o banqueiro Daniel Vorcaro enfrentam o mesmo desafio: convencer a PF de que ainda possuem informações relevantes e inéditas sobre o esquema. “Eles precisam entregar mais do que a PF já tem”, destacou.

Delação de Paulo Henrique Costa travada

Segundo a coluna Radar, as negociações de delação do ex-presidente do BRB estão paradas por falta de provas novas e elementos concretos. Preso desde abril, Costa tenta obter benefícios judiciais em troca de informações, mas a PF considera que boa parte do que ele apresentou é baseada em relatos indiretos e sem comprovação robusta. A participação do BRB é vista como central, e novas revelações podem surgir a partir da atuação do banco estatal.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

PF endurece com Daniel Vorcaro

José Benedito comparou a situação de Costa à de Vorcaro. A PF rejeitou a proposta inicial de delação do dono do Master porque os investigadores já possuem informações mais completas. “A PF já sabe tudo o que ele diz que vai contar”, afirmou. Além disso, os investigadores perceberam que Vorcaro omitia informações relevantes nas negociações iniciais.

Corrida por acordos

A situação criou uma corrida entre os investigados. Se Costa fechar primeiro uma delação consistente, o espaço de negociação de Vorcaro será drasticamente reduzido. O contrário também é verdadeiro: se Vorcaro apresentar informações inéditas antes, Costa perderá valor estratégico perante os investigadores.

Riscos elevados

O volume de crimes e os valores envolvidos no escândalo explicam a pressão por acordos. “O número de crimes praticados é muito alto”, afirmou o editor. As penas previstas e os valores de ressarcimento são considerados gigantescos. “As condenações podem ser pesadíssimas”, disse. Apenas uma colaboração efetiva, com devolução de recursos desviados, poderia reduzir a situação jurídica dos investigados. “Ou fazem uma delação que ajude a PF a desbaratar o esquema, ou vão ficar muito tempo na cadeia”, concluiu.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar