Guerra no Oriente Médio pode impactar tráfego mundial de internet; entenda
Especialistas em cibersegurança alertam para um risco pouco discutido da guerra no Oriente Médio: os impactos sobre a infraestrutura digital global. O foco está nos cabos submarinos de fibra óptica, responsáveis por sustentar de 95% a 99% do tráfego mundial de internet. A preocupação se intensifica devido à localização estratégica do Irã, próximo ao Estreito de Ormuz, rota que antes escoava 20% do petróleo e gás do mundo e hoje concentra conexões críticas de telecomunicações que ligam Ásia, Oriente Médio e Europa.
O conflito e seus efeitos na conectividade
O conflito entre Estados Unidos e Irã já dura quase três meses. Durante esse período, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz para nações consideradas hostis, criando um órgão regulador que exige cooperação e pagamento de pedágios. O controle da região eleva o temor de interrupções no tráfego de dados por danos físicos, instabilidade regional ou sabotagens. Esses cabos são vitais para dados financeiros, videoconferências, redes sociais, streaming, operações em nuvem, sistemas empresariais e transações bancárias.
Leonardo Cardoso, diretor de relações institucionais da TI Safe, explica que o risco não é um apagão total, mas impactos operacionais como aumento de latência, lentidão, indisponibilidade parcial e maior vulnerabilidade digital. A dependência crescente de serviços digitais expõe empresas e governos a efeitos indiretos de crises internacionais.
Guerra híbrida e riscos cibernéticos
Cardoso destaca o aumento da guerra híbrida, que combina ações militares com ataques digitais e desinformação. Em cenários de escalada geopolítica, crescem tentativas de invasão a sistemas críticos, ataques DDoS, espionagem digital e desestabilização de infraestruturas essenciais.
Embora o Brasil esteja distante do epicentro, os impactos podem ser indiretos, especialmente para empresas dependentes de conectividade internacional e sistemas hospedados no exterior. “Mais do que proteger dados, hoje as empresas precisam pensar em resiliência operacional. O risco geopolítico já faz parte do risco cibernético”, afirma Cardoso.



