Caminhoneiros mantêm ameaça de greve enquanto avaliam medidas do governo federal
As associações de caminhoneiros se reuniram nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, em Santos, no litoral paulista, para avaliar as medidas anunciadas pelo governo do presidente Lula (PT) e decidir sobre uma possível paralisação nacional. O encontro ocorreu após a categoria aprovar um indicativo de greve mais cedo nesta semana, citando principalmente a alta dos combustíveis diante da escalada das tensões no Oriente Médio.
Decisão aguarda publicação no Diário Oficial
O presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou que os caminhoneiros aguardam o governo detalhar as medidas para regular os preços dos fretes antes de tomar uma decisão definitiva. "O que ficou decidido na reunião é que vamos aguardar ser publicado no Diário Oficial para ver de que jeito será feito esse travamento", disse Landim. "A partir de amanhã diremos se atendeu o segmento ou não, mas estamos em estado de paralisação."
Medidas propostas pelo governo
Pela manhã, o ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vai aumentar a fiscalização sobre empresas que desrespeitam a tabela de valores mínimos de frete, podendo até barrar as infratoras de contratarem transporte. Além disso, o governo propôs nesta quarta que os estados zerem temporariamente o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o diesel, com a União compensando 50% da perda de arrecadação, ao custo de R$ 1,5 bilhão aos cofres federais.
Contexto da ameaça de greve
Os caminhoneiros têm pressionado por ações concretas para conter a alta dos combustíveis e garantir o cumprimento da tabela de fretes, que estabelece valores mínimos para o transporte de cargas. A categoria argumenta que a instabilidade no Oriente Médio tem impactado diretamente os preços dos combustíveis, afetando sua rentabilidade. A reunião em Santos serviu como um ponto crítico para avaliar se os anúncios do Ministério dos Transportes são suficientes para atender às demandas, mantendo a ameaça de greve como uma ferramenta de negociação.
Enquanto isso, a categoria permanece em alerta, com o indicativo de paralisação ainda vigente. A decisão final sobre a greve deve ser comunicada nos próximos dias, após a análise das medidas publicadas oficialmente. O desfecho pode impactar significativamente a logística e a economia do país, dependendo da resposta dos caminhoneiros às propostas governamentais.



