Governador de Goiás enfrenta desafios na construção de alianças na Bahia
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), mal teve seu nome confirmado oficialmente como o único presidenciável do partido e já se depara com um cenário político complexo na Bahia, considerado um dos estados mais petistas do Brasil. A incerteza sobre a formação de um palanque eleitoral sólido na região surge em um momento crucial para sua campanha, colocando em risco sua capacidade de mobilizar apoio em um território estratégico.
PSD baiano declara apoio a Lula e Jerônimo Rodrigues
O diretório estadual do PSD na Bahia, sob a liderança do senador Otto Alencar, já anunciou publicamente que toda a sua bancada vai apoiar as reeleições do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa decisão partidária representa um obstáculo significativo para Caiado, que busca consolidar sua presença no estado e ampliar sua base eleitoral. A declaração de apoio aos petistas demonstra a força da influência do PT na região e a dificuldade de romper com alianças tradicionais.
ACM Neto alinha-se com Flávio Bolsonaro e complica cenário
Enquanto isso, a outra opção viável de palanque na Bahia, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), garantiu, já nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, maior proximidade com Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Neto lançou sua pré-candidatura ao governo da Bahia com uma aliança formal com o PL, destinando uma das vagas de disputa ao Senado para o ex-ministro da Cidadania de Jair Bolsonaro, João Roma (PL-BA). A outra vaga ficou com o senador Ângelo Coronel (Republicanos), recém-desfiliado do PSD, que tentará a reeleição, e a vice é do ex-prefeito de Jequié Zé Cocá (PP), assegurando a participação do Progressistas.
Negociações em torno de palanque duplo enfrentam dificuldades
A possibilidade de o candidato do PSD apoiar ACM Neto já era citada pelo presidente do partido, Gilberto Kassab, desde que decidiu que a legenda teria candidatura própria. No entanto, as negociações em torno dessa questão ainda não foram iniciadas, segundo interlocutores da sigla, e teriam em Caiado a sua principal articulação, visto que o goiano já foi filiado ao União Brasil e teria uma boa relação com Neto. Além das dificuldades partidárias, uma negociação em torno dessa questão significaria que ACM Neto teria que abrir um palanque duplo na Bahia, para Flávio Bolsonaro e para Ronaldo Caiado, o que exigiria uma difícil aprovação do PL, partido com o qual Neto estabeleceu laços recentes.
Esse cenário político intricado coloca Caiado em uma posição delicada, onde a falta de um palanque na Bahia pode impactar sua campanha nacional. A necessidade de construir alianças em um estado dominado por forças opostas exige estratégias políticas refinadas e negociações complexas, que ainda estão em estágios iniciais. A evolução dessas conversas será crucial para definir o futuro eleitoral do presidenciável do PSD.



