Presidente do BRB detalha estratégia de recuperação em meio à crise institucional
A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou, nesta terça-feira (3), o projeto de lei que autoriza a transferência de nove imóveis públicos da capital federal para o patrimônio do Banco de Brasília (BRB). A votação registrou 14 votos favoráveis e 10 contrários em dois turnos, com o texto seguindo agora para sanção do governador Ibaneis Rocha, do MDB.
Estratégia do fundo imobiliário como solução
Em entrevista exclusiva à TV Globo na quarta-feira (4), o presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, afirmou que a melhor opção disponível é a criação de um fundo de investimento imobiliário (FII). A proposta envolve vender cotas dos imóveis para investidores qualificados, uma estratégia que, segundo ele, não geraria uma PNT ou prestação, nem afetaria a Lei de Responsabilidade Fiscal do governo distrital.
"Assim, esses imóveis teriam rentabilidade para aqueles investidores que estariam conosco", declarou Nelson de Souza, destacando os benefícios da medida.
O FII, criado pela Lei Federal 8.668/93 e regulamentado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), consiste em carteiras compostas por imóveis selecionados e administrados por uma instituição financeira autorizada. Os lucros desses fundos devem ser distribuídos periodicamente aos cotistas, oferecendo uma alternativa viável para capitalização.
Contexto da crise e impacto econômico
O presidente do BRB garantiu que o plano de recuperação será apresentado ao Banco Central dentro do prazo estabelecido, até o final deste mês. Ele também defendeu a responsabilização dos envolvidos no prejuízo bilionário que afeta a instituição, apontando falhas de governança e fluxos processuais.
"Nós vimos que faltou um pouco de governança e alguns fluxos no processo não foram observados. Aquela tentativa, talvez, de salvar uma liquidez de outro banco ou do próprio capital levou a fragilidades", explicou Nelson de Souza.
Segundo estimativas do próprio banco, uma eventual liquidação do BRB causaria um impacto significativo de R$ 20 a R$ 25 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Esta associação privada, sem fins lucrativos, integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema, garantindo recursos depositados ou investidos em casos de crise.
Detalhes dos imóveis transferidos
O g1 teve acesso à lista completa dos nove imóveis e seus respectivos valores, especificados pela Terracap:
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote F – área da Caesb: R$ 632 milhões
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote G: R$ 632 milhões
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote I: R$ 364 milhões
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote H: R$ 361 milhões
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote C – pertencente à CEB: R$ 547 milhões
- SIA, Trecho Serviço Público, Lote B – da Novacap: R$ 1,02 bilhão
- Centro Metropolitano, Quadra 03, Conjunto A, Lote 01, em Taguatinga – sede abandonada do Centro Administrativo do DF: R$ 491 milhões
- "Gleba A" de 716 hectares, da Terracap: R$ 2,2 bilhões
- Setor de Áreas Isoladas Norte SAIN (antigo lote da PM): R$ 239 milhões
Perspectivas futuras e negação de liquidação
Nelson de Souza negou categoricamente a possibilidade de liquidação ou federalização do banco, expressando confiança no fortalecimento da instituição. "O BRB sairá bem mais forte e será capitalizado mais forte que ele era antes", afirmou o presidente.
Atualmente, o BRB é responsável por 64% dos financiamentos imobiliários do Distrito Federal, injetando aproximadamente R$ 215 milhões na economia local. A instituição enfrenta um cenário desafiador, mas busca soluções estratégicas para superar a crise e manter sua relevância no mercado financeiro da capital federal.
