BRB envia plano bilionário ao BC com 12 imóveis públicos do DF como garantia de empréstimo
BRB envia plano bilionário ao BC com imóveis do DF como garantia

BRB envia plano de recomposição bilionário ao Banco Central com garantias imobiliárias do DF

O governo do Distrito Federal elaborou um projeto de lei para oferecer 12 imóveis públicos como garantia para um empréstimo bilionário a ser tomado pelo Banco de Brasília (BRB). Entre os imóveis oferecidos estão lotes no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) e áreas de parque em diferentes regiões administrativas.

O projeto foi enviado neste sábado (21) para a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), que deve votar a proposta em breve. O objetivo do governo de Ibaneis Rocha (MDB) é aprovar o texto já na próxima semana, possivelmente na terça-feira (24).

Lista completa dos 12 imóveis oferecidos como garantia

  • Setor de Áreas Isoladas Norte (SAI/norte), área destinada à Polícia Militar do DF
  • Centro Metropolitano, quadra 03, conjunto A, lote 01, em Taguatinga
  • Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), área de serviço público, lote I
  • Parque do Guará, área 29 e 30
  • Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), quadra 4, lotes 1710, 1720, 1730, 1740, 1750 e 1760
  • Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), quadra 4, lotes 1690 e 1700
  • Setor de Indústria Abastecimento (SIA), área de serviço público, lote G
  • Setor de Múltiplas Atividades Sul (SMAS) trecho 3 Lote 8
  • Setor de Área Isoladas Norte (SAIN) DEST CEB, Asa Norte
  • Setor de Habitações Individuais Sul (SHIS) QL 9 lote B, Lago Sul
  • Áreas Isoladas Santa Bárbara, lote 2 e áreas isoladas da Papuda, lotes 1 e 2, Setor Habitacional Tororó
  • Setor de Industria e Abastecimento Sul (SIA/SUL), área de serviços públicos, lote B, no Guará

Entenda o empréstimo e seus objetivos estratégicos

O empréstimo, que pode inclusive ser tomado junto ao Fundo Garantidor de Crédito, é uma das hipóteses citadas pelo BRB no plano preventivo entregue ao Banco Central há duas semanas. Se concretizado, esses recursos vão ajudar o BRB a melhorar o perfil de seus ativos, reduzindo significativamente o risco atrelado a seu patrimônio.

O objetivo principal é garantir que o banco permaneça sólido e não gere desconfianças no mercado financeiro, evitando assim abalos à credibilidade da instituição. Com essa garantia imobiliária do governo do DF, o BRB teria condições de captar recursos em condições mais favoráveis, com juros menores, para dar mais consistência ao balanço patrimonial do banco.

Esse balanço foi abalado após as transações mal-sucedidas para a compra do Banco Master nos últimos anos. Em compensação, caso não consigam honrar o empréstimo no futuro, o BRB e o governo do DF podem se ver obrigados a alienar (vender) esses imóveis para pagar o compromisso assumido.

Contexto político e situação de Ibaneis na CLDF

O governador Ibaneis Rocha (MDB) tem ampla maioria de aliados na Câmara Legislativa do Distrito Federal. A Mesa Diretora já arquivou, por exemplo, quatro pedidos de impeachment contra Ibaneis protocolados por partidos de oposição nas últimas semanas, demonstrando a força política do governador na casa legislativa.

Em agosto de 2025, a Câmara deu aval à tentativa de compra do Banco Master pelo BRB apenas cinco dias após o governo enviar o projeto, com um placar de 15 votos a 7. Meses depois, no entanto, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero para investigar um esquema bilionário de fraudes financeiras com venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.

Desde então, aliados de Ibaneis na Câmara do DF têm tentado evitar o tema. Se for colocado em votação, o projeto de oferecer 12 imóveis públicos do DF como garantia para um empréstimo bilionário do BRB será o primeiro teste da situação política de Ibaneis na Casa após as revelações sobre o caso Master.

Necessidade de recuperação patrimonial do BRB

O plano entregue pelo BRB ao Banco Central inclui uma série de medidas que podem ser acionadas pelo banco caso "naufraguem" as transações contratadas com o Banco Master em meses anteriores. Como o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central, contratos em andamento foram interrompidos abruptamente.

Pequenos investidores foram cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mas fundos de previdência e o próprio BRB, por exemplo, não contam com a mesma garantia institucional. Desde o fim de 2024, o BRB gastou bilhões para adquirir carteiras de créditos do Banco Master, em operações que posteriormente revelaram graves problemas.

Meses depois, veio à tona que essas mesmas carteiras tinham sido compradas pelo Master de outra instituição por menos da metade do valor. O pior é que o Master não chegou a pagar esses créditos, mas recebeu à vista ao revendê-los para o BRB, em uma operação financeira altamente questionável.

Todas essas inconsistências fizeram com que o balanço patrimonial do BRB ficasse consideravelmente mais frágil. Técnicos ouvidos nas últimas semanas afirmam que não há nenhum risco imediato de falência ou de liquidação do BRB, até porque o acionista controlador do banco é o governo do Distrito Federal, que tem patrimônio suficiente para socorrer a instituição se necessário.

Mesmo assim, é fundamental que o BRB reforce seu capital para seguir cumprindo as regras mínimas de solidez e segurança previstas na legislação brasileira para todo o sistema bancário. A investigação do Banco Master revelou que o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025, e o Ministério Público vê indícios de gestão fraudulenta nessas transferências.

Segundo as investigações em andamento, cerca de R$ 12 bilhões foram para carteiras de crédito podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras adequadas, agravando ainda mais a situação patrimonial do banco público do Distrito Federal.