Escândalo Banco Master: Políticos trocam acusações em meio a delação explosiva
Banco Master: Políticos trocam farpas com delação iminente

O escândalo do Banco Master, que envolve fraudes superiores a R$ 50 bilhões e a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, continua a agitar a política nacional. As revelações que podem surgir a partir da delação premiada de Vorcaro prometem ampliar os embates entre partidos e políticos, criando novos focos de tensão com alto potencial de destruição.

Contexto do Escândalo

Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase de uma operação que resultou na liquidação do Banco Master pelo Banco Central. Daniel Vorcaro, proprietário da instituição, está preso e negocia um acordo de delação premiada. As fraudes descobertas deixaram um rombo de mais de R$ 50 bilhões no mercado financeiro, considerado o maior golpe do tipo no Brasil. As investigações apontam que o império econômico de Vorcaro foi construído com base em trapaças que envolveram a cooptação de políticos influentes e autoridades contratadas para prestar serviços ao banco, possivelmente para ocultar pagamentos de propina.

Impacto na Campanha Eleitoral

O caso Master já pauta a campanha eleitoral em vários níveis, inclusive na disputa pela Presidência da República. O primeiro ataque direto ocorreu no domingo, 26 de abril, durante o Congresso Nacional do PT. Em um vídeo exibido no evento, os petistas associaram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao escândalo. Candidato da oposição, Flávio é o principal adversário do presidente Lula na reeleição, com quem está tecnicamente empatado nas pesquisas de segundo turno.

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A peça publicitária petista chama o senador de "filho mais corrupto de Bolsonaro" e insinua que ele comprou uma mansão em Brasília com recursos do esquema do Master. O vídeo também destaca que Fabiano Zettel, cunhado e sócio de Vorcaro, doou recursos para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022. "Vamos colocar as cartas na mesa. Daniel Vorcaro foi autorizado a operar o Banco Master em 2019, pelo governo Bolsonaro. Fabiano Zettel entregou 5 milhões para as campanhas de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Entendeu o esquema? O Banco Master é ‘bolsomaster’", conclui um narrador.

O vídeo, produzido pelo marqueteiro da campanha de Lula, já circulava entre políticos governistas, especialmente em São Paulo, onde o caso será usado na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. O PT pretende realçar que o governador Tarcísio de Freitas, candidato à reeleição, recebeu uma doação de R$ 2 milhões do cunhado de Vorcaro em sua campanha. Estrategistas da campanha de Fernando Haddad, candidato petista ao governo paulista, afirmaram que divulgarão em breve um segundo vídeo no qual o ex-ministro da Fazenda contará bastidores do caso Master enquanto esteve em Brasília.

Reações e Contra-ataques

Flávio Bolsonaro rebateu as acusações, afirmando que "a tentativa de inverter responsabilidades não resiste a uma análise séria e não enganará a sociedade brasileira". O PL contra-atacou com um vídeo apontando Rui Costa, ex-governador da Bahia e ex-ministro de Lula, como autor de medidas que ajudaram a construir a pirâmide de fraudes do banco. A peça também destaca que Guido Mantega, ex-ministro de gestões petistas, estava na folha de pagamento do Master e levou o banqueiro ao Palácio do Planalto para uma audiência fora da agenda com o presidente Lula. "Eles (os petistas) tentam embaralhar as cartas para esconder quem realmente está comandando esse baralho", diz o narrador oposicionista.

Impacto na Bahia e em Alagoas

Na Bahia, a disputa pelo Palácio de Ondina deve ocorrer entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil). No entanto, ambos os candidatos avaliam que só têm a perder com o embate direto sobre o escândalo. Rodrigues sucedeu Rui Costa no governo e, se partir para o confronto, teria que explicar medidas de responsabilidade de seu padrinho político, além de esclarecer a situação do senador Jaques Wagner (PT-BA), cuja mulher de um enteado foi sócia de uma empresa que recebeu R$ 11 milhões do Master. Do outro lado, as investigações mostraram que ACM Neto tinha contrato de consultoria com as empresas de Vorcaro, recebendo R$ 3,6 milhões pelos serviços. Há um acordo tácito entre as campanhas para que o assunto permaneça em hibernação.

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Em Alagoas, ao contrário, os ânimos prometem se exaltar. O senador Renan Calheiros (MDB) e o deputado Arthur Lira (PP), adversários viscerais, disputarão uma cadeira no Senado em outubro. Sabe-se que Vorcaro mantinha relações de amizade com políticos de vários partidos, especialmente do PP. No início do ano, o Tribunal de Contas da União (TCU) tentou interferir no processo de liquidação do Master, em uma manobra mal explicada. Calheiros acusou Lira de pressionar o ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso, para ajudar o banqueiro preso. O senador também insinua que Lira é responsável por um prejuízo aos cofres do Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió, que comprou R$ 100 milhões em títulos podres do Master.

Expectativas da Delação

As confissões de Vorcaro devem alimentar e ampliar esses embates, criando outros com maior poder de destruição. A expectativa é que o banqueiro revele nomes de políticos e autoridades que ajudaram a construir seu império, que se empenharam em impedir que ele ruísse e, principalmente, o que receberam em troca. A suspeita da Polícia Federal é que o Master usou a influência de certos personagens, alguns remunerados, para abrir portas nos gabinetes de Brasília. O banco investia fortunas em contratos de serviços, festas e viagens para obter esse privilégio. Na teia de relações do empresário estão deputados, senadores, governadores, ex-governadores, ministros, ex-ministros, magistrados, servidores públicos de alto escalão e ex-presidentes da República.

Na semana passada, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) transferência do presídio da Papuda para a carceragem da Polícia Federal. Suspeito de receber propina para viabilizar a compra de bilhões em títulos podres do Master, ele também negocia um acordo de colaboração. Antes da prisão, Costa fez um relato sobre pressões que teria recebido para concretizar a transação fraudulenta, vindas de políticos influentes e até de uma autoridade do Judiciário. Não se sabe se essa história está entre as revelações que ele pretende fazer, nem se é real ou um blefe. Se for verdadeira, caberá ao delator apresentar provas irrefutáveis, o que pode adicionar novos e surpreendentes capítulos ao escândalo.