Vice-presidente Geraldo Alckmin defende ações do governo e minimiza risco de paralisação nacional
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta terça-feira que o governo federal se antecipou à alta dos combustíveis e que não existem motivos para os caminhoneiros realizarem uma greve nacional. As declarações foram feitas a jornalistas durante a festa de aniversário de 80 anos do ex-ministro José Dirceu (PT), realizada em Brasília.
Articulação de caminhoneiros preocupa governo
Caminhoneiros de diversas regiões do país estão articulando uma paralização nacional para pressionar o governo contra o aumento do preço do diesel. Governistas demonstram preocupação com a possibilidade, pois uma greve no transporte por caminhões possui forte impacto na economia e pode afetar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na última semana, o governo anunciou uma série de medidas para conter os preços do diesel, incluindo:
- Zeramento dos impostos federais sobre o produto
- Anúncio de uma subvenção com objetivo de reduzir em R$ 0,64 o preço por litro do diesel
Contudo, dias após o anúncio, a Petrobras comunicou um aumento nos preços do combustível.
Declarações firmes do vice-presidente
"Eu espero que não tenha greve, porque não tem muito sentido. O governo já se antecipou, já tomou medidas", declarou Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O vice-presidente foi enfático ao afirmar: "Não há nenhuma razão para ter greve, nenhuma razão. O governo tomou medidas importantes para garantir o abastecimento e que não falte combustível, e de outro lado para amortizar o impacto no preço".
Ele detalhou as ações implementadas: "Foram feitas duas medidas. Retirou todo o imposto federal, que era PIS e Cofins, zerou, e ainda está dando uma subvenção, para evitar o efeito no preço".
Contexto internacional e impacto nos preços
Alckmin também mencionou os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, que resultaram na restrição, pelas forças iranianas, do trânsito de navios no estreito de Hormuz. Aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente passam por essa via marítima, essencial para a produção de diversos países do Oriente Médio.
A medida provocou a elevação dos preços do petróleo no mercado internacional. "Você não tem o condão de parar a guerra. O que pode fazer é minimizar o impacto [da alta dos preços]", declarou o vice-presidente.
Diálogos e monitoramento governamental
Os caminhoneiros mantêm conversas com o governo sobre o aumento dos preços dos combustíveis através de representantes da Secretaria-Geral e do Ministério dos Transportes, além de integrantes da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).
O governo federal monitora ativamente o andamento das mobilizações para o caso de a paralisação se confirmar. Até o momento, não há uma data definida para a greve.
Críticas do setor e fiscalização
Lideranças do setor afirmam que a categoria já deliberou a favor de cruzar os braços e trabalham na articulação com entidades regionais, cooperativas e transportadoras para alinhar uma data e ampliar a adesão ao movimento.
Uma das principais críticas dos caminhoneiros é que, poucos dias após o anúncio do pacote de renúncia fiscal do governo para baratear o diesel e reduzir o impacto da crise internacional, a Petrobras aumentou o preço do diesel nas refinarias. Segundo os profissionais, essa ação anulou o efeito da redução tributária.
O governo identificou sinais de abuso de preços praticados nos postos de combustível e anunciou que irá fiscalizar as bombas. Na última quinta-feira (12), o governo federal informou que zerou as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o diesel, o que representa uma redução de R$ 0,32 por litro.
