Transformação no Mercado Imobiliário de Itajaí: A Explosão dos Imóveis Compactos
Morar bem localizado em Itajaí, cidade que possui o maior Produto Interno Bruto (PIB) de Santa Catarina, tornou-se uma realidade cada vez mais cara... e surpreendentemente menor. Com o quarto metro quadrado mais valorizado do país, conforme o índice FipeZap da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), muitos residentes estão recorrendo aos chamados apartamentos supercompactos, uma tendência que está remodelando o cenário habitacional da região.
O Fenômeno dos Imóveis de Até 40 Metros Quadrados
Esses imóveis, que não ultrapassam os 40 m², integram sala, quarto e cozinha em um único ambiente, oferecendo uma solução prática para a alta dos preços. Os edifícios que os abrigam frequentemente disponibilizam restaurante, lavanderia compartilhada e espaços de coworking, atendendo a um público diversificado. Oswaldo Max, diretor comercial, explica que o perfil dos compradores é amplo.
"É o jovem em busca do primeiro imóvel, o casal sem filhos, o público sênior. E também o investidor, porque esse produto é voltado para rentabilizar. Os prédios estão cada vez mais altos e os apartamentos, menores", afirmou.
Valorização Recorde e Crescimento Exponencial
Nos últimos cinco anos, o valor do metro quadrado em Itajaí experimentou uma alta impressionante de 58%, saltando de R$ 8.267 em janeiro de 2022 para R$ 13.098 em janeiro de 2026, de acordo com dados da Fipe. Essa trajetória ascendente se manteve consistentemente, com aumentos mensais observados nos últimos cinco meses, onde o preço subiu de R$ 12.712 em setembro de 2025 para R$ 13.098 em janeiro de 2026.
Paralelamente, o número de imóveis compactos lançados no município triplicou nos últimos quatro anos, um crescimento de aproximadamente 300%. Em 2022, foram lançadas 307 unidades, enquanto em 2025 esse número disparou para 1.228, conforme informações do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon). O volume total de vendas no período alcançou a marca de R$ 1,7 bilhão, evidenciando o vigor deste segmento.
Moradia ou Investimento? Uma Nova Lógica Habitacional
Segundo Oswaldo Max, no centro da cidade, onde o metro quadrado atinge seus valores mais elevados, a proximidade com serviços e comodidades pesa mais do que a metragem ampla. Simultaneamente, muitos adquirem esses imóveis com visão no futuro, tratando-os como uma espécie de previdência privada: investem agora para alugar e assegurar renda posteriormente.
Scheila Michaelsen, gerente de construtora, destaca três fatores cruciais por trás dessa expansão acelerada.
"Primeiro, a mudança do perfil demográfico e de estilo de vida. Temos mais pessoas morando sozinhas, casais jovens sem filhos, profissionais com mobilidade. O segundo ponto é uma nova lógica de investimento imobiliário. O estúdio permite maior liquidez. E o terceiro é que ele não é só uma metragem reduzida. É uma proposta completa de moradia", explicou.
Aquecimento Sustentado e Déficit Habitacional
O aquecimento deste mercado deve persistir. De acordo com Eduardo Agostini, presidente do Sinduscon, existe um déficit significativo deste tipo de imóvel na cidade.
"Hoje temos aproximadamente 15 mil unidades represadas desse tipo de moradia. O mercado deve continuar aquecido pelos próximos cinco a dez anos, até conseguir abastecer esse déficit", afirmou.
Histórias de Transformação: Do Trabalhador ao Investidor
A valorização expressiva chamou a atenção de indivíduos que anteriormente nem consideravam investir em imóveis. Felipe Morais, que trabalhou em obras dos 17 aos 19 anos para custear sua primeira faculdade, viu uma oportunidade. Hoje, ele e sua esposa, Jaqueline Pereira, decidiram diversificar seus investimentos e apostar no mercado imobiliário pela primeira vez.
"Eu trabalhei sempre com o mercado de capitais. E o mercado de Santa Catarina é muito aquecido na parte imobiliária. Eu decidi abrir a mente para conhecer esse mercado", relatou Felipe.
O apartamento adquirido pelo casal está localizado no Centro de Itajaí e integra um empreendimento projetado para atrair não apenas moradores fixos, mas também turistas.
"A princípio, a nossa ideia é alugar, justamente para captar estudantes da universidade que fica ali na frente. Mas o futuro a Deus pertence. Por enquanto, nossa ideia é a locação", complementou Jaqueline.
Esta transformação no mercado imobiliário de Itajaí reflete uma adaptação às novas dinâmicas econômicas e sociais, onde a eficiência do espaço e a localização privilegiada se tornam os pilares de uma moradia moderna e um investimento promissor.



